Brasília - Envolvido em denúncias de sonegação fiscal e crime contra o sistema financeiro, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, preferiu ontem sair escondido pela porta dos fundos do Ministério da Fazenda para não se encontrar com jornalistas que cercavam as três entradas do prédio principal e do anexo. A operação de retirada de Meirelles mobilizou seguranças do BC e da Fazenda, funcionários do gabinete do ministro Antonio Palocci e bombeiros da brigada de incêndio.
Por quase uma hora, os seguranças que sempre acompanham o presidente do BC tentaram, sem sucesso, retirá-lo do prédio sem que ele fosse visto. Após intensa movimentação de carros do BC entre as várias portas do Ministério da Fazenda, Meirelles conseguiu sair por uma porta de vidro que raramente é usada, localizada nos fundos da entrada principal dos funcionários do ministério.
Além de passar pelo constrangimento de ter de sair por uma porta de serviço, Meirelles usou o carro dos seus seguranças, que serve de escolta ao veículo oficial da presidência do BC. A porta que foi aberta para a saída de emergência do presidente do BC só é usada ocasionalmente, na maior parte das vezes para a passagem de cabos de televisão quando há transmissões ao vivo de coletivas de imprensa no auditório, que também fica no andar térreo da sede do Ministério da Fazenda.
O cerco dos jornalistas pegou Meirelles de surpresa. Ele foi ao ministério, no início da tarde, para uma reunião com Palocci. Seu carro oficial ficou à vista e alertou a imprensa. Desde que o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira, que abra investigação sobre Meirelles, o presidente do BC ainda não deu declarações. Divulgou apenas uma nota oficial na qual afirma que encara com ''tranquilidade e serenidade'' o pedido do Ministério Público.
De passagem pelo Ministério da Fazenda, onde tinha reunião na Receita Federal, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) estranhou a confusão. Ela aproveitou para criticar os parlamentares do PSDB. ''É estranho que a oposição esteja fazendo barulho em torno do pedido de abertura desse assunto. Mais barulho deveremos estar fazendo nós (o governo). Condenados em primeira instância, têm vários dirigentes do Banco Central do governo passado e, mesmo assim, não estamos tecendo comentário'', afirmou.
A senadora afirmou que o assunto Meirelles está sendo tratado com tranquilidade no governo. ''Estamos no estado de direito que pressupõe inocência até que provem o contrário.'' Ela negou que o governo esteja fazendo tratativas para evitar o depoimento de Meirelles à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado. Ressaltou que se trata de um convite e não uma convocação. ''No Senado temos tido bom senso de convidar'', afirmou.

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