Assentar um milhão de famílias em quatro anos de governo, com um recurso anual aproximado de R$ 2 bilhões economizado no orçamento com medidas de combate à corrupção. A proposta foi apresentada ontem de manhã na região de Londrina pela candidata do PSol à Presidência da República, a senadora alagoana Heloísa Helena. Ela participou em Tamarana da 21ª Romaria da Terra no Paraná, evento promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Igreja Católica.
  Durante toda a manhã, a candidata concedeu autógrafos, posou para fotos e expôs, em coletivas tumultuadas por militantes (a maior parte, estudantes) que faziam as vezes de fãs e seguranças, parte da programa de governo para o setor agrário.
  A vedete dos discursos da presidenciável foi uma reforma agrária ampla que permita o assentamento de um milhão de famílias, em quatro anos. Para reforçar a necessidade da iniciativa, ela argumentou que a medida traria mais desenvolvimento econômico e inclusão social, além da geração de emprego e renda dentro e fora do campo.
  ‘‘Quero disponibilizar R$ 2 bilhões anuais do orçamento público para implementar a reforma agrária. Como os R$ 90 bilhões do superávit estão sendo usados para patrocinar o jogo sórdido de meia dúzia de banqueiros especuladores, dinheiro para fazer essas mudanças é o que não falta’’, declarou.
  Em relação ao cidadão que já usufrui da terra, mas com dificuldade - tal como o pequeno ou médio agricultor -, a candidata criticou os últimos 12 anos de governos permeados por PSDB e PT, repletos de ‘‘mentiras relacionadas à reforma’’, e complementou: não há, atualmente, uma política voltada a esses setores específicos. ‘‘Por isso a necessidade de reforma agrária juntamente com o crédito, o subsídio, o zoneamento agrícola e a pesquisa, ciência e tecnologia voltadas também para a agricultura familiar e ao pequeno e médio agricultor - isso pode ser feito. Só que, antes, tem de baixar a taxa básica de juros e haver uma diversificação agrícola que valorize o nosso produto’’, afirmou, para completar: ‘‘É inaceitável que a China, com menos de um quarto de potencial em recursos hídricos e áreas agricultáveis que nós temos, tenha uma produção de grãos seis vezes maior que a do Brasil’’, comparou.
  Se não faltaram críticas à atuação dos governos anteriores e ao atual, a senadora também não poupou alfinetadas às políticas de distribuição de renda - especialmente o Bolsa Família. Não que ela queira extingui-lo - até agora, aliás, nenhum candidato se manifestou contrário ao programa: a idéia é alterar a extensão dos objetivos do benefício. ‘‘O ideal é que esses programas sejam vinculados à criança e ao jovem com mecanismos de escola integral, esporte, cultura e música. Não queremos que a Bolsa Família possa ser incentivo da gravidez na adolescência, e sim, que incorpore atividades também como a capacitação profissional e a inserção mercado de trabalho. Não podemos é aceitar que o Bolsa Família seja usado para fazer manipulação política’’, vociferou.
  Cercada de militantes do PSol e também de pessoas ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST), a representante da chamada ‘frente de esquerda’ não respondeu taxativamente qual seria, como presidente, sua posição quanto às invasões de terra ou a movimentos sociais do gênero. Em relação a estes, garantiu que defenderá a manifestação deles porque é ‘‘contra ditadura’’; sobre as invasões, resumiu: com a reforma agrária pretendida por seu governo, elas não ocorrerão. ‘‘Só existe ocupação de terra quando existe governo irresponsável, insensível e incapaz de cumprir a Constituição e fazer a reforma’’.

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