A ex-secretária de Educação de Londrina Karin Sabec Viana (PR), além de ter acusado o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) de ter recebido propina das empresas que forneceram uniformes escolares ao município em 2011 e 2012, que resultaram na prisão de três empresários ligados a essas empresas, abriu uma suposta ''caixa preta'' da administração, confirmando fraudes em licitações que já são objeto de investigação ou de ação do Ministério Público.
Implicando Marco Cito (que ficou preso mais de dois meses por suposta tentativa de compra de votos de vereadores), que era responsável pelas compras quando ocupava a pasta de Gestão Pública, Karin disse que havia fraudes ou direcionamento em praticamente todas as licitações, mas citou pontualmente as compras de uniformes, a aquisição dos livros da coleção ''Vivenciando a Cultura Afrobrasileira e Indígena'', no fornecimento de merenda escolar cujos serviços eram prestados pela empresa J.Coan e na escolha da empresa Proguarda, que teria sido beneficiada com aditivo de reequilíbrio financeiro irregularmente. Ela também mencionou a tentativa de fraude na compra de lousas eletrônicas.
Karin prestou pelo menos quatro depoimentos ao MP a partir de 3 de julho, sempre acompanhada do advogado Maicon Castilho, na condição de colaboradora e solicitando os benefícios da ''delação premiada'', que prevê redução de pena para quem delata os demais participantes de crimes.
Ela contou aos promotores que a escolha da Editora Ética, da Bahia, que forneceu os livros da coleção ''Vivenciando...'', posteriormente considerados racistas e jamais usados nas escolas de Londrina, foi indicação do então secretário de Planejamento Fábio Góes porque ''a editora ajudaria no carnaval de 2011''. Góes exonerou-se do governo municipal em junho do ano passado e voltou para a Bahia após ser acusado pelo MP de participação em suposto pedido de propina de Barbosa para contratar o Instituto Atlântico, que executou projetos de saúde na cidade.
Quanto à merenda, a ex-secretária também afirma que houve favorecimento de empresa contratada emergencialmente após o rompimento do contrato com a J.Coan (suposta integrante de um cartel nacional de fraudes no fornecimento de merenda escolar), que partiu de recomendação do Ministério Público, porém, quase seis meses após a promotoria indicar que havia indícios de fraudes na licitação de merenda. Ela também mencionou que a J.Coan ''agraciava as merendeiras que servissem menos merenda aos alunos, mas lançassem a quantidade contratada''.
Em relação à limpeza de prédios públicos, que já gerou ação de improbidade contra Marco Cito e representantes da empresa Proguarda, a ex-secretária acrescentou ''tal empresa foi trazida por Fábio Góes de Goiânia para prestar serviços em Londrina e que somente foi montada de fato em Londrina quando se deu o pagamento da primeira parcela pela prefeitura''.
A ex-secretária disse ainda que havia a intenção de fraudar uma licitação de R$ 3 milhões para a compra de lousas eletrônicas. Em dezembro do ano passado, afirmou ela, Marco Cito lhe determinou que solicitasse as lousas ''apesar da secretaria não necessitar de tal material''. A vencedora da licitação estaria previamente acertada. O atual secretário de Gestão Pública, Denilson Novaes, disse que o procedimento de compra das lousas continha ''várias dúvidas'' e foi encaminhado à Secretaria de Educação para esclarecimentos e não voltou mais à gestão.
Karin Sabec, que já responde ações por improbidade em razão da compra dos uniformes em 2011 e dos livros racistas, disse que não falou a verdade nos depoimentos anteriores porque estava sendo ameaçada e afirmou que se sentia intimidada por Barbosa Neto. Karin deixou a Secretaria de Educação em 2 de abril para se candidatar a vereadora. Em seguida ocupou cargos de assessora na Sercomtel e Cohab.

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