Haverá desvalorização, da moeda, prevê Unger
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Agência Estado 
O professor de Direito em Harvard (EUA), Mangabeira Unger, acredita que após as eleições haverá uma desvalorização da moeda. Esse é o desfecho mais provável após as eleições, é o de menor resistência, disse.
O modelo considerado mais provável, segundo ele, seria composto pelo ajuste cambial, com alargamento da banda; proteção às reservas, com controle de fluxo cambial e de capital de curto prazo, e incentivo às exportações; um corte profundo nos investimentos do setor social e reorganização da dívida interna.
Após esse conjunto de medidas, finalmente teríamos a recessão preparada, orquestrada. E a consequência é que, após se restabelecer da recessão, o País iniciará um período de crescimento fraco, onde terá que lutar para exportar, quando todo o mundo está exportando, além de produzir no mercado interno com demanda reduzida, disse Unger.
Nesse mesmo cenário, Unger acredita que o Estado não terá recursos para investir no capital humano, o que radicalizará as lutas sociais.
O economista e candidato a deputado federal pelo PT Aloízio Mercadante avalia que o anúncio de FHC é um recado para o mundo de que haverá aumento de impostos, corte de gastos e um acordo com o FMI. Para dizer isso, ele usou um monte de adjetivos para confundir o eleitor, mas o Brasil vai passar por um arrocho como o dos anos 80, disse.


