Hauly sai na frente, com média de 23,50%
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2000
Egidio Brizola De Londrina 
O candidato Luiz Carlos Hauly (PSDB) sai na frente na primeira rodada da Pesquisa Folha, com a média de 23,50% da intenção de votos do eleitorado de Londrina, consideradas as manifestações espontânea (19,6%) e estimulada (27,4%). Barbosa Neto (PDT) obteve média de 14,95% (12,2 % na espontânea e 17,7% na estimulada) ficando em segundo; Luiz Eduardo Cheida (PSDB), com média de 8,25% (5,1% e 11,4%) fica em terceiro; Farage Koury (PFL), aparece em quarto com 5,4% (3,8% e 7%), e Nedson Micheleti (PT) recebe a média de 3,35% (2,3% na espontânea e 4,4% na estimulada), ficando em quinto lugar. Em ambas as alternativas, a margem de erro determinada é de 3,5%.
De acordo com Alexandre do Espírito Santo, especialista contratado pela Folha como consultor da pesquisa que lança o novo serviço do jornal, inédito entre jornais do Paraná, a margem de erro de amostragem foi computada ao nível de confiança de 95%, significando que há 5% ou 1 em 19 de probabilidade que estes resultados estejam fora da margem de erro de 3,5%. Espírito Santo explica, com isso, que 19 de 20 pesquisas com esta metodologia e procedimentos devem produzir resultados que estarão dentro da margem de erro.
A consulta revela, na espontânea, que é alto o percentual (38%) dos eleitores que não sabem em quem votar, mas na estimulada o índice cai para 15,9%. A rodada também indica a intenção de votos em branco (5,1% na espontânea e 4,3% na estimulada) e votos nulos (12,6% na espontânea e 11,8% na estimulada). Ou seja, os eleitores que ainda não definiram voto somam o dobro dos que revelam a intenção com relação ao primeiro colocado, Hauly, na espontânea.
A Pesquisa Folha ouviu 800 eleitores potenciais, nos dias 12, 13, 14 e 15 deste mês, antes do início dos programas do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio. Manifestaram-se eleitores homens (43,1%) e mulheres (56,9%) das áreas norte, sul, leste, oeste e centro da cidade, com amostragem aleatória de bairros dentros das áreas. Foram aleatorizados no mínimo cinco bairros de cada área geográfica e, nestes, percorridas no mínimo três ruas de forma aleatória.
Espírito Santo, que é Ph.D em pesquisa de comportamento e professor na Universidade Estadual de Londrina (UEL), analisa que na intenção de voto expresso de memória, o candidato tucano Hauly se distancia positivamente dos demais desde 7,4 pontos percentuais do segundo mais votado (Barbosa Neto) até 17,3 pontos percentuais do candidato menos votado (Nedson Micheleti).
Entretanto, o alto percentual dos entrevistados que ainda não sabem (38%) escolher de memória, acrescido dos percentuais dos entrevistados que pretendem votar em branco ou anular o voto (17,7%) representa um pouco mais da metade de toda a amostra (55,7%), aponta.
O especialista comenta que, baseado em resultados de pesquisas eleitorais do passado, daqui e de outros municípios, a intenção de voto expressa de memória (espontânea) costuma ser afetada por baixos níveis educacionais, e de renda, dos entrevistados. Ele também comenta que as intenções de voto antes do pipocar das campanhas (o caso desta pesquisa) tendem a expressar decisões incompletamente feitas e, portanto, suscetíveis a mudanças que levam os resultados a subirem e a descerem, como ioiô, em questão de semanas.
Segundo ele, pesquisas com tal antecipação podem ser comparadas a tomar a pressão sanguínea de alguém, logo após uma corrida. A mensuração pode ser precisa, mas não típica. Porém, são âncoras muito úteis para futuras aferições. O professor aponta que a volatividade de eleitores é um fato conhecido. Atitudes vão mudando, às vezes diariamente, à proporção que eleitores indecisos reagem ao que lêem ou vêem na mídia e até ao que ouvem de amigos. Em pesquisas futuras as diferenças percentuais entre os candidatos líderes deverão ser estritamente determinadas pela margem de erro de amostragem, considerando o intervalo de confiança estabelecido.


