O candidato tucano à Prefeitura de Londrina, deputado federal Luiz Carlos Hauly, repetiu ontem, em entrevista, respostas a ataques disparados pelo senador e presidente do PMDB no Paraná, Roberto Requião. Na quarta-feira à noite, em comício no Bairro Cafezal (zona sul), Requião subiu ao palanque do candidato Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e criticou Hauly. No dia seguinte, Hauly fez comício no Jardim Oeste (região oeste), e reagiu às críticas. Hoje o tucano vai estar no Cafezal.
‘‘Candidato que critica o governo estadual e o presidente não está preocupado com o futuro de Londrina’’, argumenta o deputado tucano. Hauly tem evitado críticas no horário eleitoral, preferindo dar um tom comedido à campanha no vídeo. Mas, na reta final, pelo menos nos comícios, o candidato altera a temperatura – ele já fez mais de 40 – e entende que ‘‘já era hora’’ de responder às críticas.
No palanque de Cheida, o senador Requião chamou Hauly de ‘‘direitona e candidato do Fernando Henrique’’. Entre os adjetivos disparados contra o deputado – que foi vice-líder do presidente Fernando Henrique na Câmara – foi ‘‘candidato do desemprego’’.
‘‘O Brasil inteiro sabe que o PMDB, o PFL, PPB e PTB são os partidos que dão sustentação ao governo federal’’, tem respondido Hauly nos últimos comícios. Ele lembra ainda que somente o PMDB tem três ministros indicados.
Questionado ontem à tarde sobre as críticas disparadas por Requião no palanque de Cheida, Hauly disse que suas respostas pretendem esclarecer o eleitor neste momento de temperatura alta em virtude da proximidade das eleições. Segundo ele, o importante é o debate em torno dos problemas de Londrina.
‘‘Considerando o buraco em que a prefeitura se encontra, é erro absoluto tecer qualquer crítica ao governo federal’’, disse o deputado. Ele garante que a população está atenta e entende de pronto que serão necessárias medidas emergenciais para dar continuidade aos projetos sociais, saúde, educação e demais serviços básicos. ‘‘Por onde ando tenho ouvido elogios pelas relações que mantenho com membros do governo federal’’, afirma o candidato.
Em que pesem os ataques, Hauly diz que tem bom relacionamento com o Requião, tendo inclusive contribuído com emendas parlamentares, quando o senador era governador do Estado. Sobre Cheida, o deputado confessa que mantém muito boas relações. Nas eleições de 96, o então prefeito Luiz Eduardo Cheida declarou apoio formal a Hauly, que foi para o segundo turno, mas acabou perdendo a disputa para Antonio Belinati (PFL) (hoje cassado). ‘‘Eu não gosto de deslealdade’’, resume Hauly, sobre os ataques dos peemedebistas.
O candidato tem se aproveitado de lideranças tucanas nos comícios. Já subiram em seu palanque o senador e presidente do PSDB do Paraná, Alvaro Dias, o deputado federal Alex Canziani e o ex-prefeito Wilson Moreira. ‘‘Não estamos integrados na estrutura da campanha; dentro do possível faço um trabalho de informação política’’, classificou Moreira, ontem à noite. Na prática, o ex-prefeito quer transferir votos dele para o candidato tucano. ‘‘Ele (Hauly) é preparado para administrar, tem experiência e formação’’, elogia o ex-prefeito. Moreira, que participou de seis comícios do candidato tucano, disse ontem que está animado com o resultado da campanha. ‘‘Queremos uma administração séria e humana, apesar das dificuldades’’, salientou.
A maratona de comícios prossegue até quarta-feira, quando Hauly, seu vice pastor Gerson Araújo (PSDB) e candidatos a vereador participam do comício de encerramento na Avenida Saul Elkind, zona norte. Ele se diz satisfeito com a campanha, que classifica de modesta. O candidato apresentou à Justiça Eleitoral um orçamento de R$ 900 mil, mas estima que os gastos da campanha ficarão limitados a 50% deste teto. O forte da campanha está sendo o
corpo-a-corpo com o eleitor. Hauly afirma que percorreu praticamente 100% dos 408 bairros da cidade, além de todos os distritos e a boa parte da zona rural.

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