Apontados na recontagem dos votos da Justiça Eleitoral de Londrina como protagonistas de um novo segundo turno na cidade, os deputados federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) analisaram com reservas a realização do novo pleito antes de o Supremo Tribunal Federal (STF) analisar o recurso extraordinário do ex-prefeito Antonio Belinati (PP). O excesso de zelo não é por acaso: se o pepista obtiver êxito no STF após a posse de um dos parlamentares na Prefeitura, o eleito corre o risco de perder não apenas o mandato de prefeito, para cedê-lo a Belinati, como também o de parlamentar, uma vez que teria de ter renunciado à vaga para assumir o Executivo.
No último dia 22, o juiz interino da 41 Zona Eleitoral, Mário Nini Azzolini - que ficou até ontem no posto -, solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que fosse designada a data do novo segundo turno a partir de orientação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos TREs, que determinou novo pleito a cidades de mais de 200 mil habitantes onde o eleito teve a candidatura cassada, de modo que os demais nomes da dipsuta não obtivessem, nenhum deles, 50% mais um dos votos válidos no primeiro turno.
No ofício enviado ao TRE pelo juiz da 41 , o recálculo dos votos válidos do primeiro turno em Londrina (já excetuados os computados por Belinati) colocam no novo segundo turno Hauly, com 37,11%, e Barbosa, com 36,03%. Em entrevista à FOLHA, no final de dezembro, o presidente do TRE, desembargador Jesus Sarrão, disse que a nova votação pode acontecer em março, após o Carnaval.
Para o candidato tucano, ''a insegurança jurídica é total''. ''A Constituição Federal fala de chamar novo pleito apenas se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal do eleito. Não é nenhum dos três casos, o de Londrina'', disse Hauly. Para ele, seria ''uma irresponsabilidade'' o TRE realizar o pleito sem o julgamento do recurso de Belinati no Supremo. ''Estou disposto a concorrer novamente, mas, primeiro de tudo, tem que haver o julgamento do Belinati em todas as esferas do Judiciário. E a Corte (no Tribunal em Curitiba) tem que avaliar bem o que isso representa - o que eu gastei, meu prejuízo emocional, financeiro, moral, sei bem qual foi.''
Já Barbosa avaliou a decisão que cassou Belinati no TSE, dia 19 de dezembro, como decisiva para a realização de um novo pleito. ''O TSE é a última instância e já se posicionou. Acho difícil reverter uma decisão dessas no STF, que tem demorado muito, até anos, para analisar casos assim. Se a cidade tiver de esperar por uma resposta do Supremo, poderá ter até prefeito biônico'', aposta.
Por outro lado, o pedetista avalia que concorrer sem o trânsito em julgado no Supremo é ''um risco''. ''É uma insegurança, não resta dúvida, mas vou correr esse risco. Se o TRE marcar a data (da eleição), tenho que encarar'', discursou.

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