Hauly e Barbosa divergem sobre propaganda
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Ficou para a próxima segunda-feira a possibilidade de um acordo entre representantes das emissoras de rádio e TV e das coligações de Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) sobre o formato da propaganda eleitoral do novo segundo turno. Ontem à tarde, eles participaram de uma reunião na sede da TV Cidade/Rede Massa, mas não chegaram a um consenso quanto à distribuição dos 20 minutos diários a que cada um dos candidatos terá direito, diariamente, em cada mídia, além das 30 inserções de até um minuto para cada. O grupo de trabalho foi formado na última quinta-feira, após uma reunião no Fórum Eleitoral com o juiz da 189 Zona, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura.
Conforme o calendário estabelecido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o horário eleitoral gratuito do novo pleito começa dia 14 e vai até 26 de março, três dias antes da votação. Se concordam em abrir mão do formato tradicional - sob as alegações de que isso os oneraria e desgastaria eleitores e candidatos -, os dois adversários agora divergem sobre a destinação do tempo: o grupo de Barbosa afirma abrir mão de todo o tempo dos programas (à exceção, portanto, das inserções), sem diluí-lo nas programações dos veículos, enquanto os tucanos insistiram na transformação do formato original em inserções ao longo do dia.
O impasse maior ficou no acordo com as emissoras de TV - três, ao todo, presentes à reunião -, que alegaram inviabilidade comercial em acrescentar mais breaks (como entrariam as inserções) nas programações, além da grade nacional que têm de seguir das respectivas cabeças de rede. Em troca, os veículos propuseram um acordo que aumenta de 30 para 36 o número de inserções, em uma faixa maior de horário - não mais das 8 às 24 horas, mas das 6h30 à 1 hora -, e uma participação ostensiva dos dois candidatos em programas jornalísticos, com entrevistas em tempos maiores que os dispensados no dia a dia. Com as rádios, o acordo foi aceito mais rapidamente: os candidatos abrem mão de 10 dos 20 minutos a que cada um teria direito em programa eleitoral, para ver esses 10 minutos que restam distribuídos em inserções de 30 segundos ou um minuto, além das 30 a que têm direito.
O representante da campanha de Barbosa, Moracy Jacques Junior, argumentou que a posição do grupo em querer abrir mão dos 20 minutos diários ''obedece pesquisas qualitativas que temos feito: o povo está desanimado de participar de uma nova eleição. Além disso, nos preocupa a superexposição do candidato'', salientou. Tendo em vista que o próprio Barbosa dissera em entrevistas, após a definição por nova eleição, que sairia em posição de desvantagem a Hauly, já que não disputou o segundo turno de 2008, a reportagem indagou a Jacques se o critério de suposta ''superexposição'' não soaria contraditório, agora. ''Não, porque a exposição do Barbosa pode ser feita por meio de comícios, material gráfico e nas inserções de rádio e TV. Não queremos nada em troca'', disse.
Já o representante da campanha de Hauly, Amauri Scudero, avaliou que a troca de tempo de inserções por participação em programas jornalísticos não pode ser feita. ''Uma coisa não substitui a outra. E não se pode misturar critérios comerciais com jornalísticos, na minha opinião''.
O grupo deve chancelar ou não a proposta desenhada ontem em reunião marcada para segunda, às 17 horas. A resposta ao juiz da 189 tem de ser dada até dia 26 deste mês.


