O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), derrotado para prefeito de Londrina, protestou ontem contra a interferência de uma parte da Igreja Católica nas eleições municipais. Em pronunciamento no plenário da Câmara, ele afirmou que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organizou um movimento nacional de apoio aos candidatos do PT. ‘‘A CNBB transformou-se num partido político contra o governo Fernando Henrique Cardoso, em apoio às candidaturas no Brasil inteiro que fossem contra ele’’, sustentou, avaliando que essa foi a razão do crescimento das candidaturas petistas na reta final da campanha.
‘‘As grandes mudanças aconteceram por força de uma decisão nacional da CNBB, que quer atingir o poder em 2002, por intermédio do PT’’, denunciou o deputado, que ficou em terceiro lugar na eleição para a Prefeitura de Londrina, depois de ter liderado as pesquisas, até a véspera da eleição, com 30% das intenções de voto. O segundo turno da eleição em Londrina será disputado entre o canditado do PT, Nedson Micheleti, e o radialista Homero Barbosa Neto, do PDT.
Hauly afirmou que nos quatro dias que antecederam a eleição, os padres da Arquidiocese de Londrina pregaram o voto no candidato do PT. ‘‘Disseram que o Hauly já estava no segundo turno e que era preciso levar também outro bom candidato para a disputa’’, relatou, rejeitando a argumentação de que foi derrotado por ser um defensor ardoroso do governo federal.
O deputado mostrou um artigo do padre Manoel Joaquim Rodrigues dos Santos, publicado na edição da Folha de Londrina/Folha do Paraná, assessor de Comunicação da Arquidiocese de Londrina, que confirma o apoio ao candidato do PT. A ironia é que esse padre é pároco da Igreja Imaculada Conceição, frequentada por Hauly. ‘‘Nessa eleição, não pude resistir à força maior que tem este País: a Igreja Católica’’, concluiu o deputado.
O vice líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PPB-PR), afirmou que o mesmo ‘‘fenômeno’’ ocorreu em Maringá (a 90 quilômetros de Londrina), onde sua mulher, Cida Borghetti Barros, disputou a eleição e ficou fora do segundo turno, juntamente com o prefeito Jairo Gianotto (PSDB), candidato à reeleição. Os dois perderam para José Cláudio, do PT, e Dr. Batista, do PTB. Barros relata que, na última semana da campanha, acompanhava diariamente as pesquisas, que apontavam o candidato do PT em quarto lugar. Na apuração no entanto, ele terminou em primeiro com 27% dos votos.
Barros está buscando explicações para essa disparidade, que ocorreu também em outras partes do País, e já iniciou a coleta de assinaturas de deputados a um requerimento de convocação de uma Comissão-Geral da Câmara para discutir o assunto com os responsáveis pelos institutos de pesquisa. ‘‘Eles precisam explicar por que não conseguiram identificar essas viradas’’, justificou o deputado.

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