Hauly abandona discurso técnico e irrita petistas
Curitiba - Apesar de se considerar um ''técnico'', o secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos Hauly (PSDB), não economizou comentários de conotação política, ontem, na Assembleia Legislativa (AL). Ao apresentar aos deputados estaduais a situação econômica do Paraná, foi questionado sobre o rombo de R$ 95 milhões nas contas do Estado e o aumento nas despesas com pessoal. ''No final do ano, as contas fecham'', prognosticou Hauly. ''Essa diferença é pequena perto de um orçamento que pode chegar a R$ 35 bilhões'', relativizou.
Os repasses da União foram o alvo preferido do político. ''As transferências correntes (do governo federal para o estadual) aumentaram só 0,95% em 2013. Se fosse para seguir o exemplo, os servidores do Paraná teriam recebido só isso de reajuste, e não os 6,49%'', cutucou Hauly. Funcionários que aguardavam a votação da data-base nas galerias da AL vaiaram e a sessão foi interrompida.
''O problema do Paraná é o Brasil. Se fossemos um Estado independente cresceríamos 5% ao ano, e não apenas 1% como o País em 2012'', insistiu Hauly, tentando diferenciar os governos tucano e petista (''A presidente Dilma só desonera os impostos cuja arrecadação divide com os Estados'', acusou). Os comentários irritaram a oposição. Tadeu Veneri (PT) ironizou a postura de Hauly na Assembleia. ''Se um rombo de quase R$ 100 milhões não é nada, se o comprometimento dos gastos com pessoal, acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, também não é nada, não sei o que será muito'', disse o petista.
No final de abril, a gestão tucana se manteve acima do limite prudencial (46,55%) de gasto com pessoal, atingindo 47,68% do comprometimento da receita corrente líquida com essa despesa. Em dezembro de 2012, era de 46,67%. Hauly disse que a prioridade para o governo é honrar a folha de pagamento, depois a quitação das dívidas, seguida do custeio e, por último, os investimentos. ''Dependemos dos empréstimos federais. Do jeito que está, (o orçamento do Paraná) está esticado, mas dá para tocar'', declarou. (J.L.J.)





