Há uma desconexão com a realidade, aponta economista
Depois de aprovada em sessões administrativas no STF, a Loman vai ao Congresso para aprovação. Quanto ao salário dos ministros do STF, que também passará pelo crivo dos parlamentares, o histórico mostra que não há resistência, tendo em vista que abre brecha para que os subsídios dos congressistas seja reajustado na mesma medida do STF, que é o teto constitucional de todo o funcionalismo público. Apenas no Judiciário o impacto deve superar os R$ 720 milhões de folha de pagamento por ano.
Os chefes do Executivo e membros do Legislativo precisam de projetos e resoluções específicas, pois o aumento dos salários não é automático. Contudo, é o que tem acontecido quando o teto é elevado.
Para o economista e secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco, o correto seria restringir o aumento dos gastos públicos, mas o governo federal está sem força política para se opor às pautas desgastantes. "Isso é resultado da situação política do país, porque as reivindicações aumentam quando o governo está fragilizado. O que é proposto ao Congresso, passa, e a presidente que vete depois. E aí, ou ela se desgasta com quem quer o aumento ou com o povo." Gil informou que atualmente são 10 milhões de funcionários públicos no país.
Segundo o presidente do sindicato dos economistas de Londrina, Ronaldo Antunes da Silva, as propostas do STF estão "desconectadas da realidade". "No momento de crise econômica, os trabalhadores e até empresários ficam com os custos, com risco de perder emprego e até de fechar as suas empresas. Enquanto isso, as autoridades não fazem o seu esforço." De acordo com o site "Impostômetro", o brasileiro pagou R$ 1,289 trilhão em impostos desde o começo do ano são R$ 159 bilhões por mês.
Embora o índice inflacionário para a recomposição salarial do trabalhador comum esteja em torno de 9%, os ministros do Supremo afirmam que têm direito a 16% de reajuste. "Eles alegam que sempre fica alguma coisa, um residual que força a elevação acima da inflação, mas não contabilizam os benefícios que engordam os vencimentos." (E.F.)





