Às 9 horas do dia 22 de junho de 2000, exatamente um ano atrás, os vereadores de Londrina cassavam o mandato do então prefeito Antonio Belinati (sem partido). A sessão durou 26 horas ininterruptas. Belinati foi considerado responsável por promoção pessoal e gastos excessivos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI). A obra, de 1999, era apontada pelo ex-prefeito como uma das principais de sua gestão.
A cassação foi o ponto alto de um processo que começou com denúncias de superfaturamento de capina e roçagem da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), ainda em fevereiro de 99, estendeu-se pela extinta Comurb (atual CMTU), e revelou-se como um amplo esquema de desvio de dinheiro público. Tudo financiado com os recursos da venda de 45% ações da Sercomtel para a Copel, um ano antes e que rendeu aos cofres públicos R$ 186 milhões.
O processo de cassação foi árduo, com sucessivas manobras para evitar a criação de comissões processantes. Belinati tinha controle sobre a Câmara (vereadores que formavam o chamado ‘‘rolo compressor’’) e só perdeu essa condição por conta da pressão da sociedade, através do Movimento pela Moralização. Em ano eleitoral, foram poucos os parlamentares da base de Belinati que arriscaram manter o nome ligado a um prefeito acusado de corrupção.
A cassação de Belinati, que foi três vezes prefeito de Londrina, não acabou com seu inferno astral. Ele foi denunciado em uma série de ações na Justiça que culminou na prisão, decretada no dia 3 de maio deste ano. O ex-prefeito ficou seis dias na cadeia, acompanhado do ex-secretário de Governo Wilson Mandelli. Só foi solto, em caráter provisório, beneficiado por uma liminar do Tribunal de Justiça (TJ). Belinati se tornou o primeiro prefeito de Londrina a ter seu mandato cassado.
Para a vereadora Elza Correia (PMDB), uma das mais atuantes defensoras da cassação Belinati, o aniversário de hoje é um marco da história recente de Londrina. ‘‘Na construção da democracia o que ocorreu em nossa cidade foi educativo, fundamental e mostra que o País não quer conviver mais com a corrupção, desmandos, improbidade e malversação do erário público.’’ Elza e o ex-vereador Carlos Santa Rosa (PFL) – outro adversário de Belinati – foram impedidos pela Justiça de participar da sessão de cassação.

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