Em 30 de julho de 2012, a Câmara de Londrina cassava o mandato do ex-prefeito Barbosa Neto por infração político-administrativa
Em 30 de julho de 2012, a Câmara de Londrina cassava o mandato do ex-prefeito Barbosa Neto por infração político-administrativa | Foto: Marcos Zanutto/26-04-2012


Há quatro anos, em 30 de julho de 2012, a Câmara Municipal de Londrina cassava o mandato do ex-prefeito Barbosa Neto por infração político-administrativa. No entanto, ele já havia se registrado como candidato à reeleição e, por uma brecha na legislação, mesmo com os direitos políticos suspensos, pode continuar na disputa. Seu governo era alvo de inúmeras investigações de desvios de dinheiro público, especialmente nas áreas de saúde e educação. Pouco tempo depois da cassação de Barbosa, seu vice, Joaquim Ribeiro, seria preso por recebimento de propina, e renunciaria ao mandato em 20 de setembro. O então presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB), assumiu o cargos pelos três meses finais do mandato.
Foi neste clima – de denúncias, desvios e instabilidade – que se fez a campanha eleitoral de 2012, chegando-se, em outubro, à eleição de Alexandre Kireeff (PSD), que se classificava com um técnico, como um não político, representando uma alternativa aos caos vivido na cidade.
O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Miguel Cenci, doutor em Filosofia, explica que "em momentos conturbados, a tendência dos eleitores é buscar alternativas". No caso de Londrina, o professor menciona que muitos eleitores, após o caos político de 2011-2012, ansiavam por estabilidade e "falavam que o próximo prefeito não precisaria fazer grandes obras, bastava não se envolver em escândalos e garantir o bom funcionamento da saúde e da educação". Assim, Kireeff, de certo modo, atendeu ao clamor do eleitorado.
O professor Bianco Zalmora Garcia, também docente da UEL e doutor em Filosofia da Educação, anota que "uma rede de corrupção vinha marcando as sucessivas administrações da prefeitura de nossa cidade há 20 anos" e que, em 2012, no cenário político nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) começava a julgar o mensalão do PT, "com reflexos na vida política de Londrina, evidenciando articulações sob a batuta de Janene".
Nessa "rede de corrupção", sempre permeada pelo ex-deputado José Janene (falecido em 2010), não se pode esquecer dos escândalos do terceiro mandato de Antonio Belinati (1997-2000), que acabou cassado em junho de 2000. Acusado de liderar, ao lado de Janene, um esquema de fraude em licitações, desvios e desmandos, ele responde a dezenas de processos por improbidade.
Naquela época, o "novo" também se sobressaiu no processo eleitoral: Nedson Micheleti (PT) venceu o pleito de 2000, com um discurso de moralidade e ética. Porém, para Garcia, nos bastidores, a história não pode ser contada desta maneira. Os dois candidatos que foram ao segundo turno – Barbosa, cujo vice era Assad Jannani, irmão do deputado, e Nedson, "antigo companheiro de apoio ao Senado, em 1998" – tinham ligações com Janene. "Janene controla as campanhas de seus candidatos." "O cenário de 2000 não pode ser comparado com o cenário que elegeu Kireeff. Entretanto, longe dos bastidores das artimanhas políticas e desconhecendo suas tramas, o eleitorado dividido entre o belinatismo e a sua rejeição acaba encontrando em Nedson e no discurso da ética da política do PT as possibilidades de mudança", pontua, acrescentando que o PT fez duas gestões "desastradas, traindo as expectativas de mudança".
Infelizmente, a busca pelo "novo" nem sempre encontra a melhor alternativa. O novo, o diferente "também pode ser um 'caçador de marajás', a exemplo de Fernando Collor de Melo (1989) ou um personagem autoritário que promete resolver todos os problemas com bravatas. Bolsonaro personifica melhor do que ninguém essa categoria de políticos", ilustra Elve Cenci.
Cenci lembra ainda que a cidade acostumou-se a ser vigilante desde os escândalos de 2000, que resultaram na cassação de Antonio Belinati, acusado de liderar, ao lado de Janene, um esquema de fraude em licitações, desvios e desmandos. Além disso, ressalta as mudanças que vêm ocorrendo quanto à participação política, especialmente com os protestos de 2013, e os efeitos da Lava Jato. "Por fim, não podemos desconsiderar um fato novo: se deputados, senadores e empreiteiros ricos experimentaram a comida da cadeia, o que garante que políticos menos importantes não terão o mesmo destino no futuro?"

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