Uma das marcas que a gestão Nedson Micheleti (PT) deixa para Londrina, sem dúvida, é o aumento dos vendedores ambulantes de CDs e DVDs piratas, sobretudo nas vias centrais, bem como a proliferação dos chamados shoppings populares, nas mais diversas regiões da cidade. Ao contrário dos antigos proprietários de locadoras que fecharam, o chefe do Executivo municipal não vê esse fenômeno como fator negativo. Muito pelo contrário: os shoppings populares ''garantem renda a famílias que sobrevivem daquilo, sem prejudicar ninguém''. ''Foi uma iniciativa importante para tirarmos pessoas da ilegalidade da sua operação para a legalidade, ainda que em condições modestas de disputar o mercado. E isso foi muito bom'', avalia.
O primeiro ''shopping popular'' foi o da Rua Sergipe, iniciativa encontrada pela primeira gestão de Nedson para tirar os ambulantes das ruas. Antes espalhados em frente a lojas e praças, eles foram ''acondicionados'' na Avenida São Paulo, ao lado do Terminal Urbano, em 2002, antes de serem deslocados às atuais instalações, em 2003. A administração chegou a bancar o aluguel do prédio durante meses, medida considera irregular pela Justiça. Hoje, são as associações que rateiam os custos.
A FOLHA quis saber o que o prefeito avalia das queixas do comerciante formal sobre a pirataria supostamente vendida nesses locais - e o prejuízo que isso representaria para o Município. O petista admitiu o prejuízo; porém, fez questão de salientar: ''A pirataria não atinge só o DVD e o CD, por exemplo; isso é o menor. Se formos fazer um combate, e tem que fazer, aí são forças policiais que precisam agir - mas em todos os níveis: de lojas de equipamentos a espaços de grife. Porque ficou uma coisa do tipo que o camelozinho na beira do Terminal é que é o vilão. Não é''.
Indagado se a menção implícita é feita ao comércio formal, Nedson respondeu com um sonoro ''lógico!''. A posição, aliás, já foi motivo de rusgas entre a administração municipal e a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), em 2007, quando o prefeito defendeu publicamente os camelôs autuados pela Receita e pela Polícia Federal, no camelódromo da Sergipe, na chamada ''Operação Capital Gancho II''. À época, muitos saíram às ruas, em protesto, invadiram a sede da Acil, no Palácio do Comércio, mas a grande maioria acabou não indo resgatar as mercadorias apreendidas - as que tivessem origem comprovada seriam devolvidas.
''Entrem em qualquer loja, entrem nos shoppings e verifiquem. Em todo lugar tem (pirataria). Mas essa operação de combate não é a Prefeitura que faz; isso não é missão e tarefa do prefeito'', refutou.
Quanto às dezenas de locadoras que fecharam ou demitiram funcionários, nos últimos oito anos, sob o argumento de que não aguentaram a concorrência, a análise do prefeito tem outro viés: para ele, esses comerciantes ''estão equivocados''. ''A concorrência deles é com a tecnologia: hoje, as pessoas baixam filmes, música e tudo o mais pela internet. Quem compra DVD na beira do Terminal, ou um CD, são pessoas mais simples, as quais não têm computadores em casa'', acredita.
Informado pela reportagem que mesmo membros da administração já foram vistos comprando DVDs piratas, o prefeito foi irônico. ''Acredito que sim, que tenha mesmo, e em toda empresa. Só nós dois, eu e você, é que não compramos.''
A partir de 2 de janeiro, Nedson garante que voltará a trabalhar na Caixa Econômica Federal (CEF), onde é técnico bancário e à qual está vinculado há 26 anos.

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