Há muito tempo o governo paranaense virou leigo nas artes de prever para prover
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Leigo em planejamento
Há muito tempo o governo paranaense, embora mantenha uma pasta de planejamento, virou leigo nas artes de prever para prover. E isso vem de longe, pois o último gestor que tratou do tema com um mínimo de seriedade, ainda que por algum tempo, foi José Richa, já que a entrada do PMDB significou o fim da ação ascensional do Estado sob o neysmo.
Abandonada a rotina do planejamento e das tabelinhas entre essa área e a fazendária, caíram significativamente os níveis de racionalidade da gestão com a perda de vitalidade do Ipardes, que já foi um centro de excelência, ao ponto de junto com equipes do Badep ter feito os estudos que defendiam em nosso favor o terceiro polo petroquímico, batalha perdida para os gaúchos.
Nossos discursos em favor, por exemplo, da ferrovia para Mato Grosso lembram ladainhas repetitivas de décadas passadas. Trocamos o tudo por nada: as ações de planejamento iam ao ponto de haver em cada secretaria um setor vocacionado na temática e agora as coisas são tocadas ao reboque do improviso e oportunismo. Tínhamos quadros e com memória de um processo que marcou uma sequência de bons governos que se destacavam por um relativo nível de previsibilidade visível na rede elétrica, sanitária e nas obras de usinas de energia.
Cesta básica abalada
Mario Henrique Simonsen lecionava: a inflação aleija, o câmbio mata. O baixo registro de inflação era um dos derradeiros trunfos do governo por estar sempre abaixo da meta projetada. Com a moeda americana cotada acima de 4 reais, matérias-primas e insumos importados sobem de forma incontrolável e atingem diretamente produtos da cesta básica como farinha de trigo, atingindo pão e massas de modo geral.
O pior é que isso se dá quando baixam os efeitos do locaute caminhoneiro, como se vê na questão da melhora no mercado de trabalho. Como se não bastasse a sinistrose, agravada com retaliações entre Esteites e China, tivemos a sétima alta seguida do dólar, que além dos efeitos materiais detém os psicológicos ligados ao número sete.
Voluntariado
Dos quadros que operarão no processo eleitoral, que já se encontram em treinamento de capacitação, de mesários e fiscais teremos nada menos do que 16 mil agentes, dos quais 13 mil voluntários.
Valeu
Valeu a aposta de Rafael Greca no sistema de terceirização para serviços de saúde no jogo de braço com o sindicato dos médicos: em apenas uma semana a UPA, Unidade de Pronto Atendimento da Cidade Industrial de Curitiba, deu assistência a 2.002 pessoas.Curioso é que 77% desses atendimentos não eram nem de urgência e muito menos de emergência.
Acidentes
A frequência de acidentes de trânsito com carros da polícia preocupa: depois daquela tragédia da Linha Verde, na capital, tivemos agora, e isso ocorreu ontem, um outro na canaleta do Capão Raso, com a morte de uma pessoa. Essa viatura estava em ação policial.
Costuma-se argumentar que a ociosidade das canaletas em Curitiba poderia facilitar os trabalhos dos taxistas, o que deve ser negado com veemência porque abre espaço para viaturas da polícia, dos bombeiros e de emergência médica. O uso das canaletas por skeitistas e patinadores deveria ser alvo de campanhas educativas para evitar acidentes.
Marina como alvo
Uma das maiores beneficiárias dos votos de Lula, segundo o Datafolha, é Marina Silva, com quase 30%. Como o regra três, o Haddad, não alça voo e Marina adeja e anda sobre as águas no imaginário popular, parece absorver parte da aura mítica do próprio ex-presidente, o que deve redundar em campanha para desacreditá-la.
Voto de Minerva
Provavelmente teremos um voto de Minerva decidindo a intrincada questão da terceirização da atividade fim que deve ser decidida na quarta 29 no STF. Até agora está em 4 a 3. Quando os sindicatos trabalhistas existiam (nutridos pelo Imposto Sindical) tinham posição radical contrária. O voto mais veemente contra foi da ministra Rosa Weber, que veio justamente da Justiça do trabalho.
Hidrômetros
Coisa de louco: a polícia apreendeu num barracão de reciclados 8 mil hidrômetros em quase quatro toneladas do produto. Pela quantidade dá para perceber a facilidade para roubar essa peça. Já houve denúncia de consumidor que o aparelho afana o usuário no excesso de ar que faz girar os ponteiros.
Folclore
O jornalista Mario Milani foi o autor da alegoria com a mão de Lula em forma da letra "L" que hoje o Bolsonaro poderia contrabandear para ligá-la a um revólver sugerindo armar o povo.


