Há blindagem na CPI, afirma Ivan Valente
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segunda-feira, 07 de setembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba A frustrada passagem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras por Curitiba, na semana passada, irritou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). Como todos os convocados puderam utilizar o direito de ficar em silêncio, quase nada de novo surgiu para complementar a investigação comandada pelos parlamentares. Para Valente, já passou da hora da Comissão aprovar a convocação dos 38 políticos investigados na Operação Lava Jato. "Temos que cortar na própria carne", afirmou. Ele adiantou que vai propor uma reunião fechada para discutir uma nova programação das sessões da CPI. "A gente tem que começar a chamar os acusados políticos, ouvir gente que traga coisas mais importantes, como o empresário Júlio Camargo, mas a gente não consegue trazer porque há uma blindagem na CPI", apontou.
Júlio Camargo é empresário e ex-representante da Toyo Setal e, durante seu interrogatório na Justiça Federal, detalhou pagamentos que efetivou a partir da pressão exercida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Segundo Camargo, US$ 5 milhões em propina seria destinado a Cunha.
"O único investigado que veio até a CPI por livre e espontânea vontade, mas antes de surgirem novas evidências, e que agora deveria retornar, é o presidente da Câmara (Eduardo Cunha, PMDB-RJ), que foi denunciado pela PGR. Pelo contrário, não sai da presidência onde ele pode atrapalhar as investigações. Na minha opinião ele tem uma capacidade muito grande de atrapalhar e de blindar a própria CPI", destacou Valente.
O requerimento para convocar Cunha já foi feito, mas ainda aguarda aprovação da maior parte do colegiado que faz parte da CPI. A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) também reclamou que a Comissão está fugindo de seu foco de investigação ao aprovar a convocação de pessoas que vão ficar em silêncio ou que não vão contribuir com os trabalhos. "Você cria a imagem que quer que tenha. Então, a CPI está num ritmo lento porque quem está ali no controle da condução da CPI coloca ela fora do eixo, fora do foco. Por isso, precisamos de uma reunião com o presidente da Comissão para saber como está sendo programada esta pauta", ressaltou.
O presidente e o relator da Comissão, por exemplo, fazem parte de dois dos três partidos com maior número de investigados dentro da Lava Jato: PMDB e PT. O presidente da Comissão, Hugo Motta (PMDB-PB) defendeu que os trabalhos estão sendo conduzidos de maneira correta e com eficácia. "Esta CPI não pode ser nunca tachada como uma CPI que não está se dedicando à investigação. Cabe a nós realizar o nosso trabalho", disse.


