BRASÍLIA - O presidente deposto do Equador Lucio Gutiérrez pretende fixar residência em Brasília, dar palestras ou prestar consultoria e voltar ao seu país antes dos quatro anos de asilo político que recebeu na última quinta-feira do governo brasileiro. Na véspera, antes de assinar os papéis, no Ministério da Justiça, frisou que fosse classificado como ''cidadão equatoriano'' e não como ''ex-presidente''.
Como forma de dar tranquilidade e tempo para Gutiérrez pensar sobre sua nova vida no Brasil, o Exército disponibilizou duas suítes do Hotel de Trânsito de Oficiais até o final de maio. Um quarto é utilizado pelo ex-presidente e sua mulher, Elza Ximena, que recebeu alta sexta-feira de uma disfunção hormonal e voltou ao hotel. No outro fica Viviana, a filha caçula do casal, que tem 15 anos.
Entre as primeiras medidas, Gutiérrez pretende matriculá-la em uma escola de Brasília. Para isso, pediu indicações até mesmo da equipe do Ministério da Justiça, que o recebeu na quinta-feira. Na ocasião, também analisou um mapa da cidade e gostou da localização de alguns bairros, próximos ao lago Paranoá, onde pretende alugar uma casa.
Quando foi informado do prazo de asilo, Gutiérrez animou-se. Disse que pensava em voltar ''em paz'' ao Equador antes dos quatro anos. O presidente deposto aposta em uma reviravolta política no país, atualmente governado por seu vice, Alfredo Palacio.
Gutiérrez perdeu o cargo no dia 20 de abril, quando o Congresso do Equador declarou vaga a Presidência e empossou Palacio. Ao formalizar o asilo político no Brasil, Gutiérrez insistiu que não pode ser chamado de ex-presidente pois ''questiona'' o processo político que o retirou do poder.
A seu favor, há questionamentos internacionais sobre o assunto. A Comunidade Sul-Americana de Nações, formada por Brasil, Bolívia e Peru, iniciou ontem uma visita ao país para observar o desenrolar dos fatos. Gutiérrez não teve, por exemplo, direito de defesa.
Outra possibilidade de moradia cogitada por Gutiérrez é o Rio de Janeiro, onde mora um primo. Ele também cultiva amigos militares na cidade, por ter estudado na Esefex (Escola de Educação Física do Exército).
Segundo relato de participantes da reunião, o ex-presidente tirou dúvidas sobre o que pode fazer como asilado político. Disse que pretende dar palestras sobre a economia do Equador, prestar consultorias ou mesmo escrever um livro. Ficou surpreso ao saber que receberia um passaporte brasileiro e indicou que pretende viajar aos Estados Unidos.

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