‘Marinheiros’ de primeira viagem eleitoral, marujos mais experientes e até mesmo capitães do ‘mar’ agitado em que será transformado o pleito de 4 de outubro contam com uma publicação gratuita que está sendo distribuída aos partidos com pistas, dicas e truques de como entrar no ‘navio’, a importância de uma boa assessoria, estrutura, financiamento e tudo relacionado à campanha. Trata-se do 1º Guia Básico do Candidato, escrito pelos jornalistas Carlos Brickmann, Norma Alcântara e Fernando Natividade.
O guia é de leitura fácil, com textos curtos e objetivos. Na primeira parte - roteiro de campanha, o Guia relaciona a batalha que o candidato irá travar, não somente com os outros candidatos, já que estarão em jogo 1.613 vagas para deputado federal, estadual, governo dos estados, senador e presidente da República, mas na busca por uma legenda e por quem realmente trabalhe sério na campanha. ‘‘Não se iluda. A disputa pelo voto é cara e muito árdua’’, alertam os autores, para completar: ‘‘mas eleição não se ganha só com dinheiro. É preciso talento’’.
Mas que talento é esse? Eles garantem que o marketing político pode ajudar ‘‘realçando o que é bom e suavizando o que não é tão bom’’. ‘‘Se você for candidato, não comece a fazer coisas que nunca fez. Não dá certo’’, alerta.
A publicação alerta também para a importância da coerência - que o candidato tente representar convenientemente seus eleitores, sem mentir, sem mudar demagogicamente de posição, sem esvaziar o discurso para tentar agradar a todos. ‘‘A maioria dos candidatos brasileiros não consegue se definir, acha que, definindo-se, perde votos’’, diz o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, especialista em campanha, um dos entrevistados do Guia.
De acordo com os autores, é preciso identificar os temas que o eleitor considera mais importantes e que tipo de posição deve ser adotada diante deles. ‘‘E não adianta adotar uma posição demagógica sobre esses temas. Digamos, por exemplo, que o eleitor seja favorável ao aborto e você, contrário. Não finja que é favorável, só para agradar o eleitor: diga honestamente que, embora você saiba que a maioria do eleitorado é abortista, você é contrário. A mentira é facilmente percebida’’, alertam.
ProdutoO Guia revela ainda o lado ‘‘produto’’ em que muitos políticos se transformam. ‘‘Na era do marketing político, os políticos estão aprendendendo a apresentar-se como um produto bem embalado e atraente’’.
E ao tratar produtos, o Guia defende: compre e distribua. Mas compre antes porque ‘‘na reta final da campanha, os preços do material decolam’’. A publicação diz que o material de propaganda tem função de informar o eleitor que você é candidato e convencê-lo de que o seu nome é o melhor. ‘‘O importante é ser criativo. Sempre que for produzir o material, pergunte: para quem serve? aonde vai ser usado? qual o impacto que vai ter? Em outras palavras, isso dá voto?’
Carlos Brickmann ensina ainda que o candidato que usa materiais alternativos se destaca. ‘‘Usar material igual ao dos adversários faz com que nenhum deles sejam lembrados. Gastou-se menos, talvez; mas o dinheiro foi jogado fora’’, garante.

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