Guia dá dicas, pistas e ensina truques ao político iniciante
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de junho de 1998
Arquivo FolhaBrickmmann: disputa é cara e árduaPatrícia Zanin 
Marinheiros de primeira viagem eleitoral, marujos mais experientes e até mesmo capitães do mar agitado em que será transformado o pleito de 4 de outubro contam com uma publicação gratuita que está sendo distribuída aos partidos com pistas, dicas e truques de como entrar no navio, a importância de uma boa assessoria, estrutura, financiamento e tudo relacionado à campanha. Trata-se do 1º Guia Básico do Candidato, escrito pelos jornalistas Carlos Brickmann, Norma Alcântara e Fernando Natividade.
O guia é de leitura fácil, com textos curtos e objetivos. Na primeira parte - roteiro de campanha, o Guia relaciona a batalha que o candidato irá travar, não somente com os outros candidatos, já que estarão em jogo 1.613 vagas para deputado federal, estadual, governo dos estados, senador e presidente da República, mas na busca por uma legenda e por quem realmente trabalhe sério na campanha. Não se iluda. A disputa pelo voto é cara e muito árdua, alertam os autores, para completar: mas eleição não se ganha só com dinheiro. É preciso talento.
Mas que talento é esse? Eles garantem que o marketing político pode ajudar realçando o que é bom e suavizando o que não é tão bom. Se você for candidato, não comece a fazer coisas que nunca fez. Não dá certo, alerta.
A publicação alerta também para a importância da coerência - que o candidato tente representar convenientemente seus eleitores, sem mentir, sem mudar demagogicamente de posição, sem esvaziar o discurso para tentar agradar a todos. A maioria dos candidatos brasileiros não consegue se definir, acha que, definindo-se, perde votos, diz o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, especialista em campanha, um dos entrevistados do Guia.
De acordo com os autores, é preciso identificar os temas que o eleitor considera mais importantes e que tipo de posição deve ser adotada diante deles. E não adianta adotar uma posição demagógica sobre esses temas. Digamos, por exemplo, que o eleitor seja favorável ao aborto e você, contrário. Não finja que é favorável, só para agradar o eleitor: diga honestamente que, embora você saiba que a maioria do eleitorado é abortista, você é contrário. A mentira é facilmente percebida, alertam.
ProdutoO Guia revela ainda o lado produto em que muitos políticos se transformam. Na era do marketing político, os políticos estão aprendendendo a apresentar-se como um produto bem embalado e atraente.
E ao tratar produtos, o Guia defende: compre e distribua. Mas compre antes porque na reta final da campanha, os preços do material decolam. A publicação diz que o material de propaganda tem função de informar o eleitor que você é candidato e convencê-lo de que o seu nome é o melhor. O importante é ser criativo. Sempre que for produzir o material, pergunte: para quem serve? aonde vai ser usado? qual o impacto que vai ter? Em outras palavras, isso dá voto?
Carlos Brickmann ensina ainda que o candidato que usa materiais alternativos se destaca. Usar material igual ao dos adversários faz com que nenhum deles sejam lembrados. Gastou-se menos, talvez; mas o dinheiro foi jogado fora, garante.


