Nem a convenção nacional pôs fim à guerra interna entre governistas e rebeldes do PMDB. Cada um dos lados pretende montar uma frente política para apoiar seus candidatos preferidos na eleição presidencial. Os governistas defenderão a eleição de Fernando Henrique. Os rebeldes devem aderir ao petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Para compensar o mau desempenho na condução da parceria com o Planalto, a cúpula governista planeja um grande ato em Brasília, com a presença dos oito governadores do partido, parlamentares e candidatos nos Estados que vão apoiar a reeleição.
‘‘Vamos mostrar ao presidente que o PMDB verdadeiro, que tem responsabilidade, palanque e votos, estará com ele na campanha’’, disse ontem o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). ‘‘Nosso próximo passo será a formulação da renúncia coletiva do diretório nacional do PMDB e a redefinição do comando nacional do partido’’, afirmou o ministro peemedebista dos Transportes, Eliseu Padilha.
Os governistas garantem contar com o apoio de mais de 90 dos 152 participantes do diretório nacional para dissolver o colegiado e destituir Paes de Andrade. ‘‘Vamos eleger o novo comando do partido que vai integrar o conselho político da campanha da reeleição’’, acrescentou.
Não será uma tarefa fácil. Os líderes rebeldes do PMDB reúnem-se ainda esta semana em Minas Gerais para fechar uma posição da resistência. Sem uma coligação oficial, os dissidentes ficam liberados para apoiar o candidato da frente das esquerdas à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ‘‘Eu vou votar no Lula, mas se não tirarmos uma posição comum em torno de uma candidatura, vamos traçar um programa comum’’, anunciou Requião.
Geddel Vieira Lima passou o domingo reunido com a cúpula governista, no gabinete do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Também estavam presentes o ministro Padilha e seu colega da Justiça, Renan Calheiros (PMDB-AL). Além de enviar fiscais para acompanhar as manobras dos rebeldes e evitar fraudes, os governistas trataram de espalhar ‘‘olheiros’’ munidos de telefones celulares por todo o Ginásio Nilson Nelson. A providência garantiu informes a cada quinze minutos.

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