Guerra diz Copel é saída para evitar caos no Estado
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sexta-feira, 08 de junho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
Faltando dois dias para a entrega do projeto popular impedindo a venda da Copel na Assembléia Legislativa, o Palácio Iguaçu intensificou a ofensiva até na argumentação. Ontem, o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, colocou em jogo a falência do Estado. Mandando um claro recado aos deputados, o secretário afirma que a Copel é a solução para evitar o cataclisma da previdência e a quebra das finanças públicas. O governador (Jaime Lerner, PFL) está consciente que os paranaenses só verão o lado bom da privatização quando outros Estados quebrarem e o Paraná estiver com as finanças em dia, declarou.
Sei que sou o mensageiro da catástrofe, mas neste momento não podemos ser emocionais. Guerra disse saber que a oposição que adotou o combate à privatização como principal bandeira sai ganhando no quesito emoção. Mas teremos razão quando os outros estiverem quebrados. O secretário lançou um desafio aos deputados: se não querem que o Estado venda a Copel, que apontem outra saída. Substituímos a solução. Acrescentou que mesmo depois das rodadas de negociações com a base de sustentação não conseguiu arrancar outra alternativa.
A Paraná Previdência (o fundo de pensão e aposentadorias dos servidores) tem R$ 1,9 bilhões. São necessários R$ 5 bilhões para capitalizar totalmente o fundo. Além de convencer sua base de apoio a votar a favor da venda, o governo se preocupa com o desgaste sofrido junto à população. Guerra disse que, quando decidiu vender a Copel, o governador estava consciente desse prejuízo. Ele afirmou que, mesmo com a rejeição, Lerner não desiste da privatização mesmo que isso custe uma eleição. No seu primeiro mandato, Lerner não queria vender a estatal.
O problema previdenciário ninguém previu, disse, referindo-se aos antecessores de Lerner. São 83 mil inativos (205 mil servidores no total). A previsão é que, em dois meses, sejam 92 mil. O governo precisa se livrar desse déficit. Guerra ainda condicionou os reajustes pleiteados pelas diversas categorias de servidores à venda da estatal. Os servidores acumulam perdas de quase 50% desde o início do governo Lerner, em 1995. Os aliados foram informados que as verbas para seus municípios dependem da Copel, porque agora o Estado não tem condições liberar recursos. Ou seja, a própria reeleição dos deputados também depende da privatização.


