São Paulo - A guerra de dossiês e a troca de acusações que dominam este início de campanha eleitoral comprometem a consolidação da democracia, pois o que os eleitores estão vendo no cenário político é a desqualificação dos candidatos que estão nessa disputa, em vez de seus programas de governo. A análise é do cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Marco Antônio Carvalho Teixeira.
Um exemplo recente foi a discussão acalorada em torno das invasões realizadas pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). O governo de FHC fez questão de lembrar a ligação histórica entre o MST e o Partido dos Trabalhadores. Além de negar qualquer participação nos episódios, a direção do PT também partiu para o ataque, insinuando que desconfiava de infiltração tucana no movimento para prejudicar os petistas.
O cientista político Fernando Abrúcio, da PUC-SP, também concorda que o atual cenário político pode prejudicar a democracia. ‘‘Eu considero natural, em uma campanha política competitiva como esta, as discussões acirradas. Porém, o que estamos vendo é um exagero na dosagem, que se traduz num conteúdo mais difamatório do que de propostas concretas’’, alegou.
Para Abrúcio, a imprensa também é responsável por esse quadro. ‘‘A imprensa, assim como a sociedade, deveria cobrar propostas claras dos candidatos, a respeito de assuntos como a reforma agrária, que está no centro dos debates, e a tributária’’, disse. Caso isso não seja feito, ele acredita que a campanha será ‘‘pobre, em termos de conteúdo’’.

mockup