Os deputados que retornaram ontem do recesso parlamentar se depararam com uma poluição visual no Congresso. Quase todas as dependências da Câmara estão cobertas por cartazes dos colegas que disputam tanto a Presidência da Casa como outros cargos da Mesa Diretora.
‘‘O que é isso?’’, admirou-se o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), ao entrar no Salão Verde, que funciona como uma ante-sala do plenário da Câmara, onde se concentram deputados, jornalistas e ‘‘lobistas’’ nos dias de votações.
Mas a propaganda não se limita ao Salão Verde. Na entrada do Congresso, nos corredores das comissões permanentes, nas passagens que ligam o prédio principal aos gabinetes dos deputados e nos corredores, milhares de cartazes, faixas e painéis lembram uma convenção partidária e evidenciam uma disputa acirrada.
A poluição visual é tanta que, mesmo os faxineiros, acostumados com a sujeira, estão reclamando do exagero. ‘‘Cada dia aparece mais um (cartaz de candidato); isso está até parecendo carnaval’’, comentou um funcionário.
A guerra de slogans também é uma curiosidade à parte na disputa pelos cargos da Mesa da Câmara. Desde os batidos ‘‘Compromisso com a Câmara, compromisso com a Nação’’, do candidato Inocêncio Oliveira (PFL-PE) e ‘‘Uma candidatura alternativa’’ do candidato Nelson Marquezelli (PTB-SP) aos novos apelos do líder do PSDB, Aécio Neves (MG) - ‘‘Aqui começa uma nova história’’ - e Valdemar Costa Neto (PL-SP) - ‘‘A última chance antes de 2002’’.
O mais inusitado, no entanto, é o slogan que Severino Cavalcanti (PPB-PE) plageou de D. Pedro I para reforçar o discurso de independência do Poder Executivo: ‘‘Independência ou morte.’’
Aécio disse ontem que deverá receber o apoio de outros partidos importantes para sua candidatura. Ele não mencionou os partidos, mas a expectativa é que possam ser o PT e o PDT. O tucano já tem o apoio do PMDB, do PPS, do PTB e do PSB.

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