Guerra de bastidores impede aprovação do Orçamento
Brasília - Uma guerra de bastidores entre governo e oposição explica por que o Orçamento de 2006 não foi aprovado até agora. A oposição foi quem primeiro articulou a estratégia de bloquear a votação da lei orçamentária no ano passado, com o objetivo de paralisar os investimentos do Palácio do Planalto em pleno ano eleitoral, mas acabou sendo vítima do próprio veneno, já que governa grandes Estados que estão sofrendo com a falta de lei orçamentária e a consequente suspensão dos repasses federais para o fundo de exportação.
Desde o início do ano, o Tesouro Nacional já deixou de repassar R$ 1,2 bilhão para Estados e municípios a título de compensação pelas perdas de receita com a Lei Kandir. Desse total, cerca de 46% seriam destinados a governantes tucanos e 31% para peemedebistas da ala oposicionista. Sem saber quando e quanto desse dinheiro receberão, vários Estados estão sendo obrigados a conter a gastança em obras de interesse eleitoral.
Essa encruzilhada explica o movimento feito nas últimas semanas pelos governadores, principalmente os do PSDB: eles pressionam a equipe econômica a conceder mais R$ 1,8 bilhão para o fundo de exportação e publicamente ameaçam bloquear a votação do Orçamento caso não sejam atendidos, mas nos bastidores demonstram pressa em resolver logo essa pendenga para ter acesso ao dinheiro.
Já o PFL, que agora está no comando de São Paulo, mas é comandado por nordestinos, não aceita aprovar o Orçamento em troca apenas da liberação dos recursos da Lei Kandir. ''As pendências do PFL não se resumem à Lei Kandir'', tem repetido o líder na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ). (Sérgio Gobetti/Agência Estado)





