Guerra com URSS muda planos de Hitler
Os problemas de confisco dos Aliados e da falta de equipamento para os próprios soldados alemães, segundo a pesquisa de Denise Rocha, levaram o Ministério da Guerra do Reich a confiscar o material da Krupp que pertencia ao Brasil. A firma alemã ainda tentaram enviar o material por Gênova e Lisboa. O governo Vargas acusou a empresa alemã de violação de contrato, e a Krupp fez outras propostas ao Brasil em março de 1941.
Até março de 1942, entregaria ao País 214 canhões (15 cm). De abril de 1941 até o final de 1943, seriam entregues 692 canhões de campanha, canhões anti-aéreos, canhões de montanha, morteiros e canhões (boca 15 cm). Como os alemães se preparavam para invadir a União Soviética, o governo de Hitler confiscou esse armamento fabricado para o Brasil. Documento do Ministério da Guerra, revela que em março de 1941 o Brasil chegou a receber parte da encomenda: cinco canhões Krause-Waffei (guardados em Lisboa), dez reboques-oficina-metrô (em Lisboa) e 30 caminhões Krupp.
Em 23 de agosto de 1941, os navios norte-americanos Exeter e Excambio recolheram material bélico da Krupp que estava estocado em Lisboa e seria destinado ao Brasil. O material foi transportado para os Estados Unidos, onde, lá, foram mudados para navios brasileiros e chegou ao País em novembro. Em 22 de agosto de 1942, navios brasileiros foram afundados por submarinos alemães, na costa do País, e a Marinha do Reich alegou que os navios não tinham sinais de reconhecimento exigidos. O Brasil entrou na Guerra ao lado dos Aliados.
No trabalho, a pesquisadora Denise Rocha aborda o papel das firmas alemãs no plano de construção de uma companhia siderúrgica nacional, como queria Vargas. Os contatos com os alemães, nesse sentido, começou em 8 de novembro de 1934, quando o engenheiro Raul S. da Silva, membro da comissão brasileira que estudava o assunto, propôs a Fritz Thyssen, presidente da Vereingte Stahlwerke, que estava em Buenos Aires, a exploração do ferro em Minas Gerais.
Thyssen, na ocasião, criticou a qualidade do ferro e a falta de transporte adequado. Em 4 de março de 1938, o governo criou o Conselho Nacional de Siderurgia e mandou representantes para a Bélgica, a Alemanha, a Inglaterra e os Estados Unidos. Nesse ano, o governo brasileiro entrou em contato com cinco firmas alemãs e acabou se interessando pela proposta da Demag, que chegou a receber o ministro dos Transportes, João Mendonça Lima.
O projeto de construção da usina siderúrgica e da exploração de minérios de ferro custaria 200 milhões de marcos, com a construção de porto de transbordo e de linhas ferroviárias. O Brasil poderia pagar com minério de ferro (50%) e outras matérias primas (outros 50%). Técnicos da Demag e da Vereinigte Starlwerke visitaram o Brasil. Em final de 1938, foi a vez de Edmundo de Macedo Soares e Silva, diretor da comissão executiva do Plano Siderúrgica, visitar as firmas alemãs. As empresas do Reich chegaram a montar dois consórcios para construir a usina no Brasil, mas, por influência do embaixador Osvaldo Aranha, os Estados Unidos acabaram financiando o empreendimento, em troca do apoio brasileiro na Segunda Guerra.





