BogotáOs colombianos estão meditando sobre em quem vão votar nas eleições presidenciais de hoje, levando em conta um tema fundamental: a guerra civil que assola o país. Enquanto as guerrilhas esquerdistas e os paramilitares de direita aumentam suas campanhas armadas, após o colapso do acordo de paz entre o Governo e as Farc, no dia 20 de fevereiro passado, os desiludidos colombianos concordam em um ponto: a necessidade de mudança radical.
‘‘Precisamos acabar com esta desordem de uma vez e para sempre’’, disse Aleida MuÀoz, uma comerciante bogotaense de 54 anos. ‘‘Quero andar pelas ruas sem preocupar-me com as bombas. Quero visitar minha família no interior do país, sem preocupar-me em ser sequestrada’’, acrescentou.
O candidato independente de direita Alvaro Uribe captou o ânimo do povo com sua promessa de lutar com mão dura contra os rebeldes.
Muitos votantes parecem estar preparados para aceitar, com resignação, que as coisas podem piorar em lugar de melhorar.
O engraxate Miguel Angel Restrepo expressou a opinião de muitos colombianos, desde os ricos até os vendedores ambulantes. ‘‘Votarei em Alvaro (Uribe)’’, disse. ‘‘Pastrana tentou realizar conversações de paz sem sucesso. Esses cretinos (os guerrilheiros) se aproveitaram dele e chegou o momento de ir para cima deles com força’’, acrescentou.
Os temores e ameaças de possíveis fatos violentos também atenuaram o fervor da campanha e o ambiente de festa cívica não é percebido nas ruas de Bogotá.
‘‘Qual é a opção? Guerra com ou sem conversações de paz. Não há muito o que comemorar’’, disse o motorista de táxi Guillermo Vega.

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