O secretário especial de Chefia de Gabinete do Palácio Iguaçu, Gerson Guelmann, disse ontem que o governo não tem qualquer ligação com o escândalo de escutas telefônicas denunciado com exclusividade à Folha pelo cabo PM Luiz Antonio Jordão, no dia 24. ‘‘Este é um problema que não diz respeito ao governo do Estado. É um caso de espionagem comercial, ocorrido a 25 quilômetros do Palácio Iguaçu’’, argumentou. ‘‘As insinuações que estão sendo feitas só têm um objetivo: enrolar o governo nos fios dessa escuta telefônica’’, afirmou.
O secretário utilizou a declaração também para rebater as insinuações feitas pelo advogado criminalista Peter Amaro de Sousa (que defende os militares citados como mandantes do grampo telefônico encontrado na Ocidental Distribuidora de Petróleo, em Araucária, e no gabinete da ex-secretária de Estado de Administração Maria Elisa Paciornik) de que ele teria participação nos grampos do Palácio Iguaçu. ‘‘O advogado que fez acusações à minha pessoa é o mesmo que atende a empresa concorrente da que foi grampeada em Araucária. Se existe alguém que deve explicações à polícia, não sou eu’’, afirmou.
Guelmann depôs ontem em Curitiba. Inicialmente agendado para ocorrer no 3º Distrito Policial de Curitiba, o depoimento foi precedido por desencontros e uma espera de mais de quatro horas, e acabou ocorrendo de forma reservada no escritório do advogado do secretário, Dirceu Andersen Júnior. Guelmann foi intimado a prestar depoimento no inquérito que investiga a escuta telefônica encontrada no gabinete da ex-secretária, em outubro de 1999.
Guelmann disse que optou pelo local do depoimento porque não quer que as investigações ganhem repercussão política, referindo-se às recentes denúncias de escuta ilegal também no governo e em comitês políticos de adversários.
Quanto ao depoimento sobre o grampo no gabinete de Maria Elisa, o secretário desconversou. ‘‘Fui convidado para depor, não sou réu. Estão tentando fazer de uma espionagem comercial um fato político. Meu depoimento não acrescentou nada. Apenas defendi minha honra’’, disse. Ele falou que caso seja convocado para depor na CPI da Telefonia, estará à disposição. ‘‘Não tenho porque fugir. Sou uma pessoa transparente e tenho a serenidade de quem não tem nada a dever’’, reforçou.
O inquérito que investiga o grampo no Palácio Iguaçu foi instaurado em março. O delegado Gerson Machado, que preside a investigação, chegou a afirmar que indiciaria o cabo Jordão como suposto mandante. Machado relacionou o caso com o grampo na empresa Ocidental, no início de abril. O instalador da empresa de telefonia GVT, João Batista Cordeiro, foi preso em flagrante quando mexia numa caixa de telefones da distribuidora. Em depoimento, ele acusou Jordão e o soldado Afrânio de Sá (ambos funcionários ligados à Casa Militar) de mandantes.
Ontem, o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, disse que resolveu concentrar todas as informações sobre o caso porque as investigações estavam sendo desvirtuadas. Ribeiro repetiu Guelmann: ‘‘Um caso não tem nada a ver com o outro. Chamamos o Guelmann para depor porque ele está sendo citado, nada além disto’’, afirmou o delegado.

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