Guelmann pede quebra de sigilo
O secretário especial da Chefia de Gabinete do governador Jaime Lerner, Gerson Guelmann, pediu ontem, aos representantes da Comissão Especial do governo do Estado a quebra do sigilo telefônico do cabo Luiz Antonio Jordão, do advogado criminalista Peter Amaro de Sousa e do Setor de Transporte Aéreo (STA) da Casa Militar. O cabo Jordão acusa Guelmann e o chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Vieira, de comandarem um esquema ilegal de escuta telefônica em secretarias de Estado e comitês eleitorais.
Guelmann pediu à Comissão que a quebra do sigilo telefônico seja feita na residência dos supostos envolvidos, no escritório de Peter Amaro de Sousa, advogado do cabo Jordão, e nos telefones celulares dos dois.
O secretário afirmou ter informações precisas de que funcionários do STA teriam ouvido toda a negociação para que a empresa Ocidental Distribuidora de Petróleo, fosse grampeada. Trocas de fax e informações teriam sido realizadas no STA, onde Jordão e o soldado Afrânio de Sá trabalhavam. Gostaria que esta comissão fosse a fundo nas investigações. Tenho certeza que iríamos descobrir muita coisa que ainda não veio à tona. Eu não tenho nada a temer, declarou ele, durante uma hora e meia de depoimento.
O secretário acusou Sousa de ter tido participação ativa no grampo da Ocidental, localizada em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba). O mandante do grampo da Ocidental foi que inventou tudo isto. Há um claro envolvimento do advogado nestes grampos. Só ainda não ficou claro para mim a participação do empresário Naum Galperin, disse ele.
Guelmann destacou que nunca soube de qualquer tipo de grampo no Palácio Iguaçu, exceto no gabinete da ex-secretária de Estado da Administração, Maria Elisa Paciornik. Mas os dois casos não têm qualquer ligação. O caso do grampo da Ocidental foi de espionagem industrial. O da secretária deve ter alguma conotação política, salientou.
O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares (presidente da comissão), disse que os depoimentos foram esclarecedores. E mesmo antes de concluir as investigações, Tavares sinaliza como deve ser o parecer final dos membros da comissão. Cada vez fica mais claro de que o governo não tem absolutamente nada com esta questão. Foi um grampo comercial, um serviço particular, feito por três ex-funcionários do Palácio Iguaçu e que terão que responder por isto, argumentou. (L.P.)





