Guelmann e Vieira não falam e CPI do Grampo suspende sessão
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terça-feira, 12 de junho de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
Amparados em uma liminar do Tribunal de Justiça, o secretário especial da Chefia de Gabinete do governador Jaime Lerner (PFL), Gerson Guelmann e o chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Vieira, não prestaram depoimento à CPI da Telefonia ontem, na Assembléia Legislativa. Ambos compareceram à sessão, mas invocaram o direito de permanecer calados.
Diante do silêncio de Guelmann (apontado como um dos mandantes de grampos em campanhas eleitorais e prédios públicos) e de Vieira (que segundo denúncias recebidas pelos deputados, estava ciente dos grampos e não tomava iniciativas para inibi-los), a reunião foi cancelada. Respeito a Justiça e espero que todos compreendam minha posição, disse Guelmann.
Vieira garantiu que nada teria para falar sobre grampos telefônicos e que apenas compareceu à Assembléia Legislativa por respeito aos deputados. Torço para que a polícia consiga esclarecer isto. Mas é algo que está sendo investigado pela polícia e pelo governo do Estado, afirmou.
Para o presidente da CPI da Telefonia, Tony Garcia (PPB), os dois secretários são testemunhas chaves e precisam ser ouvidos para o esclarecimento das denúncias apresentadas por vários depoentes. Vamos recorrer da decisão judicial e vamos reconvocá-los. Não descartamos uma acareação com os acusadores para esclarecer os fatos, salientou.
A CPI da Telefonia suspendeu as atividades sobre a investigação de grampos até uma decisão judicial. O governo do Estado com esta atitude conseguiu provocar um apagão moral e de palavras. Mas não vai conseguir fazer com que a gente recue. Ao contrário. Isto nos dá a certeza de estarmos no caminho certo, destacou Garcia.
Os deputados estaduais que compõem a CPI têm até hoje para responder os questionamentos judiciais sobre os motivos do suposto desvirtuamento das funções originais da comissão com as investigações sobre grampos telefônicos em prédios públicos. Esta vai ser a primeira de uma série de batalhas judiciais que os parlamentares terão que enfrentar. Até agora, a Justiça concedeu três liminares a favor do governo do Estado e da Telepar Brasil Telecom.
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), disse ontem que vai encaminhar os documentos solicitados pelos desembargadores Jeorling Cordeiro Cléve e José Wanderlei Resende, sobre o funcionamento da CPI da Telefonia, na próxima sexta-feira. O presidente do Legislativo tem dito que a CPI tem autonomia para investigar todas as denúncias que recebe. Ele não questionou, no entanto, o pedido da Justiça. Decisão judicial não se questiona, se cumpre, disse Hermas Brandão.


