Guedes exige retratação. Araújo ameaça romper
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sexta-feira, 11 de abril de 1997
Da Redação 
O secretário municipal da Fazenda, Luis César Guedes (foto), negou ontem que esteja demissionário, mas deixou claro que quer uma retratação para o episódio ocorrido anteontem, na Câmara de Vereadores, protagonizado pelo líder do prefeito, Renato Araújo (PPB). Estou trabalhando normal, por enquanto, ressalvou. Embora tenha evitado detalhar o assunto, alegando que não gosta de especulações, ele não conseguiu disfarçar o constrangimento. Ser chamado de mentiroso é uma posição nada confortável. Exigo uma retificação, declarou.
Ele se referiu às declarações de Araújo, que o acusou de mentir ao dar números que não existem sobre as despesas e receitas da prefeitura e a viabilidade de estender o pagamento da cesta básica a servidores que ganham mais de R$ 1.500,00. O secretário da Fazenda disse esperar uma solução rápida para o caso e pretende conversar hoje com o prefeito Antonio Belinati (PDT). Ontem foi impossível em virtude dos muitos compromissos dele, mas preciso saber o que o prefeito está pensando, explicou.
Segunda-feira, Guedes foi convidado para dar explicações na Câmara sobre o pagamento da cesta básica. Hoje o benefício atinge os servidores que ganham até R$ 1.500,00, mas um projeto de lei encaminhado por Belinati à Câmara amplia o benefício. Guedes argumentou que, apesar das dificuldades de caixa, a administração está adotando medidas de redução de custos para viabilizar o pagamento.
O projeto foi retirado da pauta e na sessão de anteontem voltou a sair da pauta - desta vez, definitivamente, a pedido do vereador Renato Araújo (foto), com requerimento assinado por outros quatro vereadores. Ele argumentou que havia conversado com o prefeito e alertou-o que o projeto não seria aprovado. O vereador Célio Guergoletto (PMDB) apresentou substitutivo limitando o pagamento da cesta a servidores com salários de até R$ 1.500,00. Eu não tiraria o projeto da pauta caso não tivesse a sinalização do prefeito, disse ontem.
Vou pagar o pato sozinho?, questiona Araújo, que ameaça deixar a liderança do prefeito na Câmara, caso ele não esclareça o mal-entendido. Fiquei mal perante o secretário e também surpreso e chateado com o prefeito. Se ele está sem dinheiro deve dizer e não transferir a responsabilidade para a Câmara, reclama.
Assim como Guedes, Araújo também tentou conversar com o prefeito ontem, mas não conseguiu. A Folha também tentou inúmeros contatos com Belinati, mas ele não retornou as ligações. (P.Z.)


