Guarda municipal faz apreensão irregular
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Guarda Municipal da Prefeitura de Curitiba apreendeu ontem cerca de 1,5 mil exemplares de jornais do PMDB de forma irregular. O mesmo material era alvo da Justiça Eleitoral desde anteontem, porque no impresso não havia o nome do partido responsável pela publicação. Mas a competência para recolher os jornais não seria da Guarda Municipal, que foi obrigada a devolver a pilha de exemplares apreendidos para o diretório municipal do PMDB, partido que sustenta a candidatura de Carlos Moreira à Capital.
A notícia de irregularidade foi verificada pela 178 Zona Eleitoral. Ontem, uma equipe da Guarda Municipal entregou os exemplares que teriam sido apreendidos à Justiça Eleitoral. O material nem chegou a ser recebido pela juíza eleitoral Lídia Munhoz Matto Guedes, que determinou a devolução dos jornais ao PMDB.
Até o fechamento da edição, a Prefeitura de Curitiba não retornou a ligação da FOLHA. Antes de a Guarda Municipal recolher os jornais, a Justiça Eleitoral já havia apreendido cerca de 600 exemplares do jornal.
O presidente do diretório municipal do PMDB, Doático Santos, afirma que fará a correção solicitada antes de continuar a distribuição do material, que chega a 100 mil exemplares. Em relação à apreensão irregular da Guarda Municipal, Doático disse que o partido já entrou com um processo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e na Justiça Comum alegando ''abuso de poder e cerceamento à liberdade de campanha eleitoral''. ''É evidente que a Guarda Municipal está sendo usada como braço de força da campanha eleitoral do Beto Richa', acusou ele.
O conteúdo dos jornais se refere ao caso envolvendo Verônica Durau, que permaneceu como funcionária ''fantasma'' da Assembléia Legislativa por cerca de dez anos. Verônica é sogra de Ezequias Moreira Rodrigues, ex-chefe de gabinete do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição. Verônica foi contratada para trabalhar no gabinete do então deputado Beto Richa, mas nunca exerceu cargo na Casa.
Mesmo após o fim do mandato do tucano, Verônica continuou contratada até 2007, quando o caso se tornou público e ela foi exonerada. Os salários de Verônica durante o período eram depositados na conta de Ezequias. Após a divulgação do episódio, Ezequias se afastou do gabinete e assumiu a responsabilidade prometendo devolver o dinheiro aos cofres públicos.
Na semana passada, um caso semelhante provocou polêmica nos bastidores das campanhas eleitorais. A Polícia Civil começou a investigar com base numa denúncia um suposto caso de outros funcionários ''fantasmas'' no ex-gabinete do Beto. A investigação acabou extinta pelo juiz Pedro Luís Sanson Corat, que considerou que a competência no caso não era da Polícia Civil.


