Guaraci investiga contas municipais Vereadores de Guaraci (72 km ao norte de Londrina) encontraram cheques com assinaturas falsificadas de fornecedores da prefeitura nas contas do prefeito Nelson Alexandre (PSDB) e do filho dele, Nilson Alexandre, que é chefe de gabinete do prefeito. Além dessa denúncia, os vereadores investigam o adiantamento salarial de oito meses auto-concedido por Alexandre, sem passar pelo departamento pessoal. O funcionalismo público municipal está sem receber há sete meses. As denúncias motivaram o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) na Câmara, feito pelo empresário Marcel Bertin. A Comissão foi instaurada no dia 21 de fevereiro e deu 10 dias para Alexandre se defender. Faltando dois dias para o término do prazo, o prefeito impediu na Justiça a continuidade dos trabalhos da CP. A Câmara pretende recorrer nos próximos dias. ‘‘Confiamos que a Justiça vai autorizar a continuidade das investigações’’, afirmou o presidente da Câmara, James Amadeu (PFL). É a segunda vez que o Legislativo tenta punir Alexandre pelos desvios. No ano passado, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) investigou as mesmas denúncias e recomendou o afastamento do prefeito. Mas seriam necessários dois terços dos votos. Foram apenas quatro a favor e cinco contra. Desta vez, Amadeu afirma que seis vereadores querem a cassação do prefeito. Amadeu disse que até agora a CP descobriu desvios que chegam a R$ 90 mil. O valor é quase o equivalente à folha de pagamento, de R$ 100 mil. O orçamento da prefeitura para este ano, segundo o vereador, é de R$ 6 milhões. O município tem cerca de 6 mil habitantes. Os vereadores reclamam ainda que a dívida interna do município subiu de R$ 670 mil para R$ 3,4 milhões. Entre as irregularidades apontadas pela CP estão o recebimento, pelo prefeito, de salário de R$ 11 mil em maio de 98. Em junho do mesmo ano ele teria descontado R$ 6,8 mil como salário. O prefeito nega ter pego salário adiantado, mas confirmou que o seu vencimento está em dia. ‘‘Eu não tenho outra fonte de renda’’, justificou. Quando questionado se os servidores tinham, ele disse que, apesar do atraso – que não passaria de quatro meses e não sete como afirmam os vereadores –, ‘‘todo mês eles recebem’’. A Folha apurou que no setor de saúde, por exemplo, o atraso chega a seis meses. Alexandre confirmou, porém, que cheques de fornecedores foram depositados na conta dele e do filho. Mas alega que ‘‘foi para pagar salário de vereador’’. ‘‘Não vão conseguir provar nada contra mim porque isso é uma doença pelo poder político’’, argumentou. Ele disse que, assim como no ano passado, quando a CEI não conseguiu cassar seu mandato, desta vez não será diferente. ‘‘Estou de cabeça erguida. Nunca temi e nunca vou temer’’. O prefeito está no segundo mandato e disse que não pretendia disputar a reeleição. ‘‘Mas depois dessa (comissão), eu vou’’, afirmou. (P.Z.)

mockup