Os grupos a favor e contra a cassação do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL) prepararam manifestações diferentes para acompanhar a sessão de julgamento, que começa hoje. Enquanto os integrantes do Movimento pela Moralização pela Administração Pública – que pede o afastamento de Belinati – promoveram à noite um culto ecumênico, o grupo auto-intitulado ‘‘Legalidade’’ armou um verdadeiro trio elétrico em frente ao estacionamento da Câmara. Teve caminhão de comício, barraquinhas, som alto e até ‘‘banheiro químico’’ – idênticos aos usados durante a Exposição Agropecuária de Londrina. Nem mesmo a chuva atrapalhou a festança.
‘‘A gente está montando a ‘rádio do povo’, dando informações sobre a cassação e também liberando a palavra para que a população possa dar sua opinião sobre o assunto’’, disse Sandra Graça, ex-chefe de gabinete da prefeitura e o mais atuante membro do grupo pró-Belinati. O único problema ocorreu de manhã, quando o caminhão de som chegou à Câmara e foi impedido de ficar dentro do estacionamento do Legislativo. Segundo Sandra Graça, além da ‘‘rádio’’, o grupo ainda está preparando uma ‘‘surpresa’’ para hoje, às 6h30, em frente ao prédio da Câmara. ‘‘Será um ato público, de 40 minutos, na rampa da entrada principal. Mas ainda é surpresa’’, despistou.
A ex-chefe de gabinete disse que a estrutura montada em frente à Câmara foi feita com ‘‘doações’’ de empresários da cidade, sem a participação de Belinati, e que por isso ela não saberia estimar qual o valor da festa. ‘‘Também não vamos citar o nome dos empresários por uma questão de ética’’, justificou.
Sandra Graça admitiu ainda que vereadores têm visitado Belinati na chácara dele, na zona sul da cidade. ‘‘Muita gente está indo visitá-lo, empresários, pessoas físicas e também vereadores. Não me lembro quem porque não estou lá, mas sei que ele está recebendo visitas.’’ Ela não quis, no entanto, falar sobre a expectativa para a votação de hoje. ‘‘É impossível saber o que se passa pela cabeça de cada vereador’’. Apesar de todo o aparato montado pelo seu grupo em frente a Câmara, ela afirma que o objetivo não é fazer pressão.
Mais discreto, o Movimento pela Moralização na Administração Pública fez um culto ecumênico às 21 horas de ontem e depois faria um vigília durante toda a noite. O grupo – de cerca de 40 pessoas – passaria a noite dentro de um ônibus e logo de manhã estaria preparado para acompanhar a sessão de julgamento de Belinati.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, disse que a idéia inicial era montar várias barracas no estacionamento da Câmara para que o grupo pudesse passar a noite. A chuva que começou a cair na tarde de ontem, no entanto, atrapalhou o plano inicial. ‘‘Mas nada que vá desmotivar o grupo’’, garantiu.
Sobre a presença ostensiva do grupo pró-Belinati, Orsi disse acreditar que não haverá problemas. Ele questionou, no entanto, a legitimidade dos manifestantes liderados por Sandra Graça. ‘‘É claro que todo esse barulho, essa suntuosidade, constrange e inibe outras manifestações. Por isso cabe até uma pergunta: que povo é esse com todos esses recursos?’’, questionou.
Ontem, no final da tarde, representantes dos dois grupos receberam da Polícia Militar (PM) 75 senhas cada que darão direito a acessar as galerias do Legislativo. ‘‘São senhas nominais e intransferíveis’’, avisou capitão Altivir Cieslak, do 5º Batalhão da PM. Ele descartou, assim, a possibilidade de as pessoas se revezarem durante a longa sessão, como queriam os integrantes do Movimento pela Moralização.
Capitão Cieslak informou que cada pessoa que entrar no prédio da Câmara será cadastrado – nome, endereço e RG. A medida seria para identificar o autor de qualquer delito durante a sessão. Por causa da chuva, a direção da Câmara descartou ontem a possibilidade de instalar um telão para que as pessoas possam acompanhar o julgamento.

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