Grupo Votorantin tem área invadida
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domingo, 28 de março de 2004
Pedro Ivo Bernardes<br> Agência Estado 
Recife - Com 5 mil hectares de área, oito engenhos e uma história recheada de conflitos, a Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife, foi um dos alvos escolhidos pelos sem-terra pernambucanos durante a jornada de ocupações de 2004. Na madrugada de ontem, cerca de 800 famílias a maioria formada por ex-trabalhadores da usina invadiu o engenho General, segundo maior do imóvel, de propriedade do grupo Votorantin, do empresário paulista Antônio Ermírio de Morais.
De acordo com informações repassadas pela coordenação estadual do MST, a ocupação aconteceu nas primeiras horas da madrugada, quando a maior parte dos seguranças estava dormindo. ''Como a gente conhece bem a rotina do local, ficou mais fácil entrar sem confronto direto com os seguranças. Quando eles perceberam, a gente já estava armando as barracas'', afirmou Luíza da Silva, integrante da coordenação local do MST.
Os sem-terra acusam os proprietários da usina de ''maquiar'' a propriedade supostamente improdutiva com uma criação de búfalos para que o resultado das sucessivas vistorias feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apontasse o imóvel como produtivo.
''Há anos estamos brigando pelos oito engenhos da usina. O problema é que cada vez que os técnicos vão fazer as vistorias, o pessoal deles leva os búfalos para a área onde o Incra está. Isso faz com que o imóvel pareça produtivo, mesmo sem ser de verdade'', reclamou Luiza.
Em 2000, a mesma área foi ocupada por duas mil famílias ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). O impasse durou quatro meses, até que os proprietários da usina conseguiram a reintegração de posse na Justiça.
Um funcionário da usina, que só quis ser identificado como Fernando, disse que os proprietários haviam sido informados da ocupação. ''Recebemos ordem de não deixar o local. Não estamos ameaçando ninguém, mas também não vamos aceitar provocações'', afirmou o funcionário, por telefone. Os sem-terra acusam os funcionários de estarem ameaçando as famílias com armas de fogo.
Os representantes legais da empresa foram procurados, mas até as 16 horas, não houve retorno. De acordo com dados da Federação dos Produtores de Cana em Pernambuco, a usina Tiúma está sem moer há nove anos. A empresa chegou a empregar 4 mil funcionários na década de 80.


