Grupo vendia remédio roubado
Agência Estado
De Campinas
O ex-motorista do empresário Willian Sozza, George Meres, afirmou em depoimento à CPI do Narcotráfico, na madrugada de ontem, que Sozza revendia cargas roubadas de medicamentos para a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma). Sozza é apontado como um dos principais líderes do crime organizado no Brasil, envolvendo roubo de mercadorias, tráfico de drogas e de armas. Ele está foragido desde 12 de outubro.
Meres afirmou ter entregue pessoalmente mercadorias roubadas nos depósitos da Abifarma na Capital e na Grande São Paulo. Segundo ele, há depósitos em Santo André, e nos bairros paulistanos de Santo Amaro, Limão e Freguesia do Ó. Ele se comprometeu a, acompanhado da Polícia Federal, voltar acompanhado a todos os locais onde diz ter entregue os medicamentos roubados. Ele explicou que, para ser revendida para a Abifarma, a mercadoria tinha que ser rigorosamente separada, para que fossem excluídas caixas de amostra grátis e medicamentos veterinários.
Meres foi o primeiro a apontar o esquema de Sozza com o crime organizado. Durante seu depoimento, o motorista confimou ter conduzido 86 caminhões com cargas roubadas para a Bolívia. Segundo ele, esses carregamentos eram pagos com pasta de cocaína e armas. Voltou a confirmar também que houve uma reunião em São Paulo entre o deputado Hildebrando Pascoal, o deputado Augusto Farias (PPB-AL), Willian Sozza e o ex-deputado do Maranhão José Gerardo. São esses os quatro coordenadores do esquema de narcotráfeco para quem eu trabalhei e de quem recebi ordens.
A Abifarma disse que a acusação feita pelo ex-motorista do empresário Willian Sozza, George Meres, não se refere à entidade mas a uma distribuidora de medicamentos localizada no Estado do Paraná. A Abifarma nunca teve depósito em nenhum lugar, afirma a assessoria de imprensa.
Além disso, a CPI descobriu que o grupo de Campinas é anterior ao esquema PC, do qual algumas das pessoas hoje investigadas também tiveram participação. As investigações feitas pela Polícia Federal e técnicos da CPI podem ser direcionadas para o Estado de Alagoas, mas nenhum deputado admite ainda uma conexão com a família Farias.





