Maioria das licitações de que os grupos investigados participavam era relacionada a uniformes escolares
Maioria das licitações de que os grupos investigados participavam era relacionada a uniformes escolares | Foto: Saulo Ohara/30-10-2018

As “cartas marcadas” na licitação para uniforme escolar constatadas pela Prefeitura de Londrina foram o ponto de partida para que o Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa de Londrina) deflagrasse a operação que resultou na prisão temporária de cinco pessoas e cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades do Paraná, de Santa Catarina e do Mato Grosso nessa terça-feira (9).

O inquérito aberto pelo MP (Ministério Público) apura crimes envolvendo fraude em licitações, falsidade ideológica e uso de documentos falsos, praticados por associação criminosa. Um grupo de 11 pessoas investigadas teria constituído dez empresas para participar de licitações com administrações municipais, principalmente relacionadas ao fornecimento de uniformes escolares. Até o momento, foram identificados 17 municípios em que o grupo participou de concorrências.

As prisões envolvem cinco empresários da mesma família: Angelo Versi Sequinel Filho, Angelo Versi Sequinel Neto, Andre Luís Marques, Bruna Stephanes Sequinel e Elania Lilian Pereira Sequinel. As buscas foram feitas nas cidades de Indaial e Joinville, em Santa Catarina; em Campo Mourão e em Maringá (Noroeste do Estado); e uma em Várzea Grande, no Mato Grosso.

Segundo o promotor do Gepatria, Renato de Lima Castro, ficou comprovado que as empresas eram interligadas por pessoas do mesmo núcleo familiar para cometer crimes contra a administração pública. "Esses empresários criminosos não são muito inteligentes na maioria das vezes. Por uma simples constatação: você verifica que o endereço em que dizem realizar serviços empresariais são residências, locais ermos e inabitados", disse o promotor do Gepatria.

Os mandados foram expedidos pelo juiz da Comarca de Telêmaco Borba. Segundo o promotor, a investigação não envolve agentes públicos. Entretanto, as provas colhidas serão compartilhadas com as comarcas envolvidas para investigar se houve participação de prefeituras que tinham contratos com empresas do grupo investigado. “Uma das vertentes da investigação é determinar se há a participação de agentes públicos no sentido de estarem associados com esse agrupamento criminoso para o cometimento de crimes em detrimento dos cofres públicos."

A Justiça também suspendeu nove contratos de empresas do grupo, vigentes com o poder público, com proibição das referidas empresas de participar de novas licitações. “A administração pública precisa que haja competitividade. O Gepatria vai intensificar a fiscalização neste sentido para evitar que os procedimentos licitatórios sejam pautados por cartas marcadas.”

A FOLHA não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos. Segundo o promotor, um dos presos, André Luis Marques, foi o único interrogado que confirmou as fraudes.

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