Agência Folha
De Brasília
Deputados de partidos da base de apoio do presidente Fernando Henrique defendem o adiamento da votação do pedido de punição do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) para depois da convocação extraordinária do Congresso, que vai até o dia 14 de fevereiro. O corregedor da Casa, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE), transmitiu a reação dos parlamentares ao presidente Michel Temer. ‘‘Os deputados estão com medo de a votação (de punição) tumultuar os trabalhos da convocação extraordinária’’, afirmou Cavalcanti.
Segundo o corregedor, mais de 20 deputados governistas pediram o adiamento da punição. Ele não quis revelar os nomes dos parlamentares. A punição de Bolsonaro será discutida hoje pela Mesa Diretora da Câmara. ‘‘Já ouvi as ponderações do corregedor, que são razoáveis, mas a verdade é que essa matéria está a exigir uma pronta decisão’’, disse Temer.
A Mesa já aprovou um pedido de suspensão por 30 dias do mandato de Bolsonaro, mas até hoje a decisão não foi votada pelo plenário da Casa. Na semana passada, o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), entrou com pedido formal na Mesa pedindo a cassação do mandato do parlamentar. O pedido será analisado hoje pela Mesa, mas a tendência é a aprovação de uma punição mais branda.
Bolsonaro pediu o ‘‘fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso’’ no dia 28 de dezembro do ano passado, durante almoço em homenagem ao ex-comandante da Aeronáutica Walter Brauer. A suspensão do mandato do deputado foi consequência de suas declarações em entrevista ao programa ‘‘Câmara Aberta’’, na TV Bandeirantes, em maio de 1999. O deputado pregou a quebra da normalidade institucional.