Grupo reabre passagem à força para fugir de tarifa na BR-369
Ao saber que o governo está prestes a aumentar o pedágio de veículos no Paraná, um grupo de agricultores e vereadores de Jataizinho (25 km a leste de Londrina) reabriu ontem uma estrada que servia de desvio para a praça de pedágio da BR-369. Eles protestaram no trevo de acesso a Assaí contra o que chamam de abuso da concessionária Econorte, responsável pelo Lote 1 do Anel, em não cadastrar mais os veículos com placas do município para ter uma tarifa diferenciada.
O vereador Maurílio Martielio (PFL) disse que faz quatro meses que estão brigando com a empresa. Muitos agricultores estão entregando a safra em outros municípios porque não aguentam pagar o pedágio. Isso inviabiliza os negócios, comentou. Ele afirmou já ter ido com uma comissão de agricultores conversar com os diretores da Econorte, mas a resposta no pedágio é diferente do que é acertado no escritório em Londrina.
Os manifestantes disseram que o acesso de várias estradas municipais foram fechadas sem autorização. Para fechar as estradas, só se acatar nossa reivindicação, assegurou o vereador Wilson Fernandes (PFL). Até ontem esta estrada estava aberta. Hoje (ontem) fecharam definitivamente com guard-rail. Não vamos aceitar isso, salientou.
O agricultor Manoel Antônio Lima, 33 anos, disse que comprou um carro com placa de Jataizinho e está há 60 dias tentando o cadastro com a Econorte. Até hoje ninguém me respondeu do meu processo, afirmou. Já o agricultor Zulmiro Francisco Antônio, 71 anos, está preocupado com a notícia de aumento da tarifa. Vou ter que levar a minha safra para Assaí, que fica mais em conta. Isso é o fim de Jataizinho, que está perdendo impostos, ressaltou.
A assessoria de Imprensa da Econorte informou que a empresa fechou o acesso no trevo de Assaí, porque o desvio é considerado irregular, oferece perigo e que os proprietários rurais foram consultados. A empresa afirma que não procede a denúncia de que a empresa não está mais cadastrando os veículos com placas de Jataizinho. De acordo com a assessoria, o processo deve ser analisado com cautela e que está estudando vários pedidos. O diretor-presidente da Econorte, Gustavo Mussnich, afirmou que a empresa está tomando as providências cabíveis.
Desde o início do ano passado a praça de pedágio de Jataizinho é alvo de protestos de políticos e agricultores da região. Antes mesmo de entrar em operação em junho, a rodovia foi fechada várias vezes. Após entrar em operação, os agricultores e manifestantes indicaram para os motoristas os desvios que poderiam usar. A Econorte fechou os pontos considerados perigosos, mas não conseguiu inibir que os agricultores buscassem estradas alternativas. A notícia de que teriam um desconto após cadastramento dos veículos pela empresa, reduziu as manifestações na área.César AugustoMãos à obraMuitos agricultores participaram do ato: tarifa em Jataizinho inviabiliza os negóciosAlexandre Sanches





