O grupo Tortura Nunca Mais deflagrou ontem uma nova campanha para afastar o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Josias Quintal. Entre 1976 e 1978, ele trabalhou como analista de informações do Departamento de Operações Internas – Centro de Operações de Defesa Interna do Rio de Janeiro (DOI-Codi/RJ), onde, de acordo com denúncias, presos políticos da ditadura militar eram torturados.
O grupo está enviando, pela Internet, para mais de 200 entidades de direitos humanos no Brasil e no exterior, o histórico profissional do secretário juntamente com uma charge, em que Quintal aparece junto a uma pessoa torturada no pau-de-arara, dizendo ter orgulho de trabalhar no DOI-Codi.
Cópias da charge serão afixadas pela cidade. O grupo fornece ainda o e-mail e endereço do governador Anthony Garotinho (PDT). O objetivo é encher o gabinete do governador com pedidos de afastamento de Quintal.
No início do mês, quando veio a público que o secretário havia trabalhado no Doi-Codi, o Tortura Nunca Mais enviou ao governador uma carta, pedindo a exoneração. Na avaliação do grupo, os serviços de informação selecionavam as pessoas que se destacavam na luta contra a ditadura, abrindo caminho para a repressão atuar.
Garotinho nunca respondeu formalmente, mas, declarou à imprensa que não afastaria o secretário porque ele exercia um cargo burocrático e não havia participado de sessões de tortura.

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