Grupo quer criar 'observatório da corrupção' em Londrina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Reportagem Local 
Do político que cobra propina ao cidadão comum que leva no bolso o dinheiro vivo para se safar da fiscalização da autoridade. Do candidato que tenta conquistar o eleitor por meio de abuso do poder econômico, à mãe que ''compra'' a vaga do aluno reprovado pela escola - que aceita o pagamento. Combater essas formas veladas de corrupção e agir preventivamente para evitá-las são as propostas de um grupo de pessoas da comunidade que se uniram no projeto batizado de ''Transparência Londrina''. A iniciativa, que deve ser formalizada ainda este ano em organização não-governamental (ONG), agendou para os dias 26 e 27 o I Seminário ''A importância da Ética e da Transparência no governo da cidade: o papel do prefeito, dos vereadores e da comunidade''. O evento acontece no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), parceira do projeto juntamente com a subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Uma das organizadoras do ''Transparência Londrina'', a nutricionista Inês Wolff, explicou que o grupo quer não apenas promover ações de prevenção e combate a práticas corruptas, mas também ''exigir transparência na administração pública'' e ''incentivar o exercício da cidadania''. ''Pretendemos fundar na cidade uma espécie de 'observatório da corrupção', mas cobrar a sociedade como um todo.''
A ''Transparência Londrina'' quer incentivar, por meio de campanhas, a fiscalização de licitações promovidas pelo poder público e o debate e a prática da ética no dia-a-dia, nas ações aparentemente mais simples. ''Esta semana mesmo vi uma pessoa jogar uma lata de refrigerante pela janela do carro próximo ao Lago Igapó - são atitudes como essas, também, que precisam ser evitadas, não apenas o desvio de recurso público.''
Aos políticos e futuros mandatários, a ''Transparência'' pretende, segundo Inês, ''fornecer subsídios para que não infrinjam as leis, especialmente, nessa época, a legislação eleitoral''. Para tal, o grupo vai propor, no seminário que está organizando, uma carta de compromisso aos postulantes à Câmara e ao Executivo. Quem concordar com o documento, o assina.
Participam das palestras previstas para o seminário representantes das oscips Sociedade Éticamente Responsável (SER) e Observatório Social, ambas de Maringá, o procurador jurídico da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), advogado Marcelo Carneiro, e os promotores de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Leila Voltarelli e Renato de Lima Castro. Interessados podem se inscrever para o evento pelo e-mail [email protected].


