Brasília - Às vésperas de uma semana esvaziada no Congresso em decorrência do feriado de Corpus Christi, na próxima quinta-feira, os defensores da CPI da Navalha temem que a pressão dos governistas para que os aliados retirem as assinaturas impeça a instalação da comissão. Os deputados favoráveis à CPI já admitem que podem não conseguir atingir o número de 171 assinaturas necessárias para instaurar a comissão.
Segundo o último levantamento, há 156 assinaturas, além de 25 que aparecem repetidas. Em busca das 15 assinaturas que os deputados alegam faltar, os parlamentares resolveram montar uma operação de vigília para obter êxito. Hoje à tarde os deputados Júlio Delgado (PSB-MG), Júlio Redecker (PSDB-RS) e Onyx Lorenzoni (DEM-RS), líder do DEM na Câmara, reúnem-se em Brasília para definir o que batizaram de ''estratégia final''. A tática é reforçar a campanha para que as 171 assinaturas estejam obtidas até terça-feira.
''Não está fácil. A cada hora liga um colega dizendo que recebe pedidos em tom de exigência para retirar a assinatura. Espero sinceramente que a nossa campanha seja mais bem sucedida do que a deles (dos governistas)'', disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Para o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), o esforço da oposição vai prevalecer sobre a suposta pressão exercida pelos governistas. ''Estou confiante que até terça-feira o número estará fechado. A orientação no partido é para todo mundo assinar, falta pouco'', afirmou ele.
Contrariando as informações dos oposicionistas, o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), negou qualquer pressão. ''Eu tenho pedido pessoalmente e como deputado que os colegas não assinem para evitar a exposição da Casa (Câmara). Mas isso não é pressão, é apelo apenas'', disse o parlamentar.
No sábado, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, reiterou que não há receio por parte do governo na instauração da CPI.

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