Grupo petista pede 'destucanização' do BC
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domingo, 11 de março de 2007
Lisandra Paraguassú<br> Agência Estado 
Brasília - A política econômica e a direção do Banco Central são os principais alvos da tese que o Movimento PT - uma das correntes internas do partido - vai levar para o encontro nacional em julho. Ontem, depois de uma reunião de dois dias em Brasília, o grupo aprovou um documento onde pede uma nova política econômica e cambial e, principalmente, a ''destucanização'' do Banco Central. ''O Banco Central é hoje um ninho de tucanos. Precisamos 'destucanizar' o BC'', disse o secretário de Organização do PT, Romênio Pereira, um dos líderes da tendência.
No documento, o Movimento PT afirma que a autonomia do Banco Central, uma das discussões recorrentes dentro do governo, é um dos ''baluartes do neoliberalismo'' e algo ''absolutamente ideológico''. ''O Banco Central tem que se alinhar ao projeto do presidente da República. Hoje há contradição clara entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a linha do Henrique Meirelles (presidente do BC)'', afirmou a deputada federal Maria do Rosário (RS), vice-presidente do PT. ''O grande desafio do segundo mandato é exatamente superar a política econômica do primeiro, adotando um novo modelo, desconcentrador de renda e riqueza'', diz o texto, acrescentando que, para isso é preciso ''uma meta de superávit primário mais condizente com uma política de investimento e desenvolvimento''.
O outro alvo do texto do Movimento PT é o Campo Majoritário, a tendência mais forte do partido e que, até hoje, foi o grupo com que o Movimento teve maior proximidade. Depois de dizer que o Campo Majoritário ''faliu e quase faliu o PT'', os representantes do Movimento usaram a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy como exemplo da ''voracidade'' dos Majoritários por cargos no governo Lula. ''Achamos que é um equívoco político o governo ser construído apenas com o campo majoritário'', afirmou o deputado federal Geraldo Magela (DF).
O texto do Movimento PT afirma que o partido, hoje, adquiriu o hábito do ''gabinetismo'' e viu acontecer no governo federal o aparelhamento, o que serviu de apoio a ''projetos pessoais e partidários''. ''Essa prática é a principal responsável pela grave crise política vivida por nosso Partido e nosso governo'', diz o texto. ''Não temos dúvida de que foram os métodos e a política usados pelo ex-Campo Majoritário que gerou a crise e quase fez sucumbir um projeto que foi construído por todos''.
O Movimento PT tem hoje 11 deputados mas nenhum cargo no governo. O maior expoente da tendência é o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), que evitou ser visto por muito tempo no encontro. Chegou cedo na manhã de ontem e saiu 15 minutos depois. Sobre as reclamações por espaço feitos por sua tendência, ele afirmou que não participou da discussão. ''Não participei dessa discussão e como presidente da Câmara não me cabe entrar nessa discussão. Cada instância interna do PT faz sua avaliação, mas é evidente que a responsabilidade da composição do governo é do Presidente da República'', afirmou.


