Grupo pedirá revisão de regras dos BCs
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domingo, 30 de maio de 1999
Agência Estado 
Wilson Pedrosa/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Presidente Fernando Henrique Cardoso acena ao entrar em carro rumo ao aeroporto da Cidade do México em retorno para embarcar para o Brasil: interesse dos países da América Latina é ampliar os graus de liberdade do comércioDepois de quase oito horas reunidos a portas fechadas, os presidentes da América Latina que participaram da reunião do Grupo do Rio, na Cidade do México, decidiram fazer um esforço conjunto para que sejam revisadas todas as regras de fiscalização dos Bancos Centrais, iniciando, assim, uma reforma no sistema financeiro internacional.
O anúncio foi feito pelo presidente do México, Ernesto Zedillo, sábado à noite, em coletiva, no Centro de Imprensa da Cumbre. Os presidentes presentes ao encontro definiram ainda a área social como prioridade do grupo, comprometendo-se a encontrar meios de combater a pobreza e o desemprego.
Os presidentes anunciaram também que não aceitarão a priorização de setores pela União Européia (UE) na abertura do mercado para comercialização de produtos. Segundo Zedillo, não se pode eleger setores para negociação de produtos, em detrimento de outros. Nós queremos abrir-nos para o o comérico mas desde que eles também se abram, acrescentou Zedillo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso, que não compareceu à coletiva, afirmou, depois do encontro, que o interesse dos países da América Latina é ampliar os graus de liberdade do comércio. Fernando Henrique reiterou o discurso de Zedillo, ao acentuar que, assim como no caso da Associação do Livre Comércio das Américas (Alca), a intenção dos governos não é discutir separadamente as questões - serviços, produtos agrícolas, entre outras -, mas é importante que haja um acordo geral.
É fundamental que evolua a discussão dos países com a União Européia, declarou o presidente, acrescentando que o importante é que não se postergue o início dessas
negociações.
A questão do fluxo de capitais também foi tema dominante do encontro, de acordo com o que ressaltou Fernando Henrique. Segundo ele, cada presidente relatou a experiência da turbulência financeira internacional enfrentada pelo país que governa.
Ficou claro para todos que é preciso um sistema mais confiável, um sistema com regras mais claras no sistema bancário em amplo senso, aí incluindo também os chamados fundos de Hedge, observou o presidente, referindo-se ao controle que deseja também sobre os fundos de capitais que promovem os ataques especulativos.
É preciso regras claras sobre o nível de alavancagem que cada um desses fundos pode ter, disse. Para ele, o desenvolvimento econômico não pode ficar submetido a sobressaltos.
A questão do emprego e o combate à pobreza também entraram na pauta da reunião do Grupo do Rio, de acordo com Fernando Henrique. Na opinião do presidente, pode haver redução da pobreza e, ao mesmo tempo, manutenção dos níveis altos de desemprego, mas é preciso que todos os países se preocupem com a modificação da atual estrutura de emprego para que se ofereçam mais postos de trabalho.
Quanto à posição do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, que quer alterar a política de concessão de vistos de trabalho para estrangeiros que queiram vir para o Brasil, Fernando Henrique considerou esta questão pequena, dentro do ângulo geral de emprego no País. Para ele, essas vagas são muito poucas diante da necessidade crescente de emprego.


