O diretor do Fórum de Londrina, juiz Aurênio José Arantes de Moura, vai encaminhar ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná o pedido feito pela Maçonaria para a instalação de uma nova vara na cidade, especializada em crimes contra a Administração Pública. O pedido foi entregue ao juiz ontem, durante reunião com representantes de 30 lojas maçônicas de Londrina e região. Na ocasião, os maçons divulgaram para a imprensa um manifesto de apoio ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP), que denunciou seis pessoas - sendo cinco agentes públicos - por suposto esquema de compra de votos na Câmara de Vereadores.
Segundo Arantes de Moura, a criação de uma nova vara depende da aprovação pela Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, a partir de projeto elaborado pelo TJ. ''Outra possibilidade seria a anexação de competência a alguma vara já existente, dependendo da análise dos dados, da demanda, como por exemplo, quantos processos seriam destinados.''
No manifesto, a Maçonaria reiterou repúdio aos ''atos de corrupção veiculados pela imprensa'', classificados como ''práticas intoleráveis, inaceitáveis e incompatíveis com o exercício do processo democrático''. Segundo o engenheiro Cláudio Espiga, ''é fundamental a participação da sociedade e a partir de agora, com toda a mobilização que está acontecendo ninguém segura o londrinense''.
O coordenador estadual do Gaeco, procurador Leonir Batisti, elogiou a atitude dos maçônicos. ''Reforça que todos nós repelimos a má política e a má administração de recursos públicos.'' Coube a Batisti rebater as críticas feitas ao Gaeco pelos investigados, inclusive, por integrantes do PDT, que alegaram atuação política do Ministério Público, que agiria de acordo com o governo do Estado, comandado pelo tucano Beto Richa. ''Tem sido assim, os investigados, ao invés de se defenderem, atacam. O Ministério Público só tem força devido a indenpendência que tem.''

Presença nas sessões

O advogado Jorge Custódio Ferreira, um dos coordenadores do Movimento Popular Contra a Corrupção por Amor a Londrina, disse que a partir desta semana haverá um acompanhamento sistemático das sessões na Câmara de Vereadores. Ontem pela manhã, integrantes do movimento estiveram no Legislativo conversando com parlamentares que integram a Comissão Processante (CP) da Centronic. ''Comunicamos aos vereadores a existência do nosso grupo e os objetivos que temos ao acompanhar de perto os trabalhos da CP'', disse Custódio.
O movimento, que nasceu na semana passada, cobra celeridade nas investigações de corrupção em Londrina. O grupo deve fazer uma visita aos promotores do Gaeco hoje.

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