Curitiba - O Grupo JMalucelli é um dos alvos da 49ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Buona Fortuna e deflagrada nessa sexta-feira (9). O Ministério Público Federal (MPF) apura se houve pagamento de vantagens indevidas na construção da Usina Belo Monte, no Pará. As outras empreiteiras citadas, todas integrantes do consórcio responsável pelas obras, são a Camargo Corrêa, a Andrade Gutierrez, a Odebrecht e a OAS. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Curitiba (PR), São Paulo, Guarujá (SP) e Jundiaí (SP), sendo quatro deles na capital paranaense.

No despacho, o juiz Sergio Moro afirma que o JMalucelli, que reúne mais de 70 empresas de diferentes setores, "participou do esquema de pagamento de propinas referente às obras" de Belo Monte. Policiais federais estiveram nas companhias Porto de Cima Participações, J Malucelli Energia e J Malucelli Construtora. Também foram autorizados a checar os e-mails da diretora financeira, Georgete Soares Bender. Conforme o juiz, os executivos apontados como responsáveis pelas tratativas ilícitas foram Celso Jacomel Junior e Theophilo Garcez Duarte Neto, "esse em menor grau".

Em nota, a empreiteira negou qualquer irregularidade e reiterou que sua participação no consórcio decorre exclusivamente de seu direito de preferência, oriundo de sua condição acionária na empresa Norte Energia S.A. Também garantiu que defende qualquer investigação que objetive ao bem da verdade.

Segundo a nota, essa condição acionária está mantida até hoje, "o que por si só já demonstra que não está relacionada a qualquer ajuste ou composição ilícita com outras empresas ou mesmo pagamentos indevidos, uma vez que desembolsou e continua desembolsando expressivos recursos financeiros para a construção desta importante hidrelétrica para o País". Prossegue a nota: "ademais, causou-nos estranheza a operação realizada em nossas dependências, tendo em vista que já tínhamos prestado, por iniciativa própria, todos os esclarecimentos necessários para a elucidação da realidade dos fatos".

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