A desaprovação do arcebispo de Londrina, dom Albano Cavalin, fez o grupo de leigos, que pretende ajudar 10 candidatos católicos a se elegerem vereadores, mudar de nome. Em vez de utilizar o movimento Conselho de Leigos, eles assinam agora como ''Leigos Entusiasmados''. O nome foi sugerido em tom de ironia por dom Albano em entrevista concedida à Folha na semana passada. Em reunião na sexta-feira, o grupo decidiu convidar todos os candidatos católicos que desejam o apoio do movimento a comparecer em novo encontro, agendado para a próxima sexta-feira, às 19h30, no Centro Pastoral.
O advogado Miguel Ramos, um dos líderes do grupo, detalhou que para ter apoio dos ''Leigos Entusiasmados'' o candidato precisa participar de algum movimento católico e pagar o dízimo há pelo menos um ano. Além disso, não pode ser candidato à reeleição. ''Nosso objetivo é evitar o poder econômico. Queremos eleger pessoas sem que elas precisem gastar dinheiro'', justificou Ramos. Essa exigência não tem o apoio do arcebispo, mas Ramos disse que as reuniões são justamente para discutir pontos divergentes. ''Ele (dom Albano) não é infalível'', afirmou Ramos.
Se o candidato apoiado pelos ''Leigos Entusiasmados'' for eleito, terá que repassar 5% de seu salário de vereador para o grupo, de acordo com Ramos. O valor sugerido inicialmente foi de 10%, mas manifestações contrárias fizeram o grupo diminuir a colaboração. ''Queremos fazer um jornalzinho para divulgar o trabalho de todos os vereadores e montar uma escola de Fé e Política'', justificou Ramos sobre o destino do dinheiro.
Ramos detalhou que todos os candidatos que preencherem os pré-requisitos e comparecerem à próxima reunião terão suas fotos e nomes divulgados em um ''jornalzinho'' para que seja feita uma eleição entre os leigos. Dessa eleição sairiam os 10 apoiados. ''Não serão os 10 primeiros colocados, mas os mais votados de cada partido'', completou Ramos. No entanto, ele disse achar que não haverá tempo hábil para fazer a eleição. Nesse caso, a escolha ficaria a cargo dos decanatos, que também farão a divulgação dos eleitos.
Apesar de afirmar que não vai utilizar as missas para fazer campanha política, Ramos confirmou que irá solicitar a autorização dos padres para que os candidatos escolhidos divulguem seus trabalhos durante reuniões pastorais e de grupos de jovens.
Dom Albano explicou que o Centro Pastoral é um local democrático e, por isso, livre para fazer reuniões. Ele frisou ainda ter ficado claro que ''não é um movimento de toda a igreja''. ''É um pequeno grupo, até porque o Conselho de Leigos disse que não é o ponto de vista deles'', afirmou o arcebispo.
O importante, na visão do arcebispo, é que o candidato seja competente na política. ''Candidatos para merecerem a atenção devem ser pessoas competentes em matéria política, que já tenham sido líderes nos mais variados pontos, como diretório estudantil e associação de bairro, e também que levem uma vida cristã de testemunho. Outras coisas a gente não entra, e muito menos pagar cota depois. Que todo cristão possa e deva ser dizimista sim, mas que tenha que ser dizimista para ter apoio enquanto candidato, não'', salientou dom Albano.

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