Brasília - Na eleição deste ano, a primeira municipal do século 21, os cargos de prefeitos, vices e vereadores serão disputados por 375.734 candidatos. Dentre os concorrentes, há um grupo aproximado de 30 gays, lésbicas e transgêneros assumidos que tentarão conquistar vagas em câmaras municipais e prefeituras por partidos que vão do PSTU ao PFL.
  Estimada em mais de 10% da população do País, a comunidade homossexual tem atualmente poucos representantes assumidos na política. Uma das entidades mais articuladas, o Grupo Gay da Bahia (GGB) pôs em sua página na internet (www.ggb.org.br) uma lista com os nomes de 20 candidatos que teriam assumido a condição de homossexual. Eles concorrem por oito partidos em nove Estados.
  A entidade comemora o lançamento de mais candidaturas de homossexuais e os apresenta como a grande novidade da eleição, num período de crise da política. Mas integrantes do próprio GGB acreditam que a lista não reflete a realidade, já que parte dos homossexuais tem dificuldade de assumir a sua opção.
  Uma das candidaturas consideradas mais promissoras é a do professor de história Marcelo Cerqueira (PV), um baiano de 34 anos que disputa uma cadeira na Câmara de Salvador. Apresentado como o ‘‘vereador da diversidade, na cara e na coragem’’, Cerqueira é homossexual, negro e do candomblé. Ele é ativista do GGB e secretário de comunicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT). Cerqueira busca também o voto dos eleitores heterossexuais. ‘‘Estamos na disputa para fazer 15 mil votos em Salvador.’’
  Em São Paulo, o advogado e filósofo Fernando Quaresma, de 36 anos, disputa uma vaga de vereador pelo PPS. ‘‘Eu acho que está tendo mais gente se assumindo e abraçando a causa’’, afirmou ele, ao ser questionado se hoje existem mais candidatos da comunidade do que no passado. Quaresma conhece de perto o preconceito. Trabalhou durante mais de dez anos com portadores do vírus HIV. ‘‘Na década de 90, antes do coquetel, algumas pessoas chegavam a separar pratos.’’
  Para conquistar os votos de cerca de 20 mil eleitores, quantidade necessária para conseguir uma vaga na Câmara paulistana, o candidato está fazendo uma campanha pautada principalmente nas suas duas áreas de atuação: direito e saúde. Entre os projetos defendidos por ele está a capacitação dos servidores públicos para atender aos gays, lésbicas e transgêneros.
  No interior de Minas Gerais, na cidade de Formiga, o vereador Moacir Alves Galo Veio (PMN), eleito em 2000 com 830 votos, concorre à reeleição e tem planos de, no futuro, concorrer à prefeitura, conforme o seu sobrinho e assessor Erasmo Carlos Espíndola que falou em nome do político. ‘‘A plataforma dele é defender os GLS.’’ Ele afirmou que Galo Veio é travesti e tem um namorado. Antes de ser eleito, trabalhava como auxiliar de enfermagem.

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