Curitiba - A Controladoria-Geral da União (CGU) analisa 44 contratos feitos no Paraná e que teriam beneficiado empresas do grupo Domanski suspeito de agir de forma semelhante ao grupo Planam (que lideraria a máfia das ambulâncias superfaturadas com esquema de propina para parlamentares e prefeitos). Sozinho, o Paraná teria 23% dos contratos que estão sob investigação. O estado da Bahia aparece na segunda colocação, com 18%. Ao todo estão sendo analisados 160 contratos feitos com 22 dos 27 estados brasileiros.
As seis empresas do Grupo Domanski tinham sede em Curitiba: Domanski Comércio e Instalações de Equipamentos Médico-Odontológicos Ltda; Saúde sobre Rodas Comércio de Materiais Médicos Ltda; Martier Comércio de Materiais Médicos e Odontológicos Ltda; Maetê Comércio de Materiais Médico-Odontológicos Ltda; Curitiba Bus Comércio de Ônibus Ltda; e Merkosul Veículos Ltda. Destas, apenas a Merkosul atende aos telefonemas. No site de busca a endereços na Internet, a Folha verificou que três destas empresas funcionavam num mesmo endereço, com números de telefone diferentes.
O proprietário Silvestre Domanski evita atender a imprensa, dizendo que retornará as ligações. Informalmente, a Folha foi informada que Domanski nunca teria negociado emendas parlamentares no Congresso Nacional. Ele trabalharia com cartas-convites diretamente com as prefeituras para a compra de ambulâncias e modernização de frotas médico-odontológicas.
O nome do Grupo Domanski já havia aparecido em depoimentos anteriores na CPMI dos Sanguessugas no dia 5 de agosto. Entretanto, um levantamento feito pela CGU deixou o grupo em evidência. As empresas de Domanski venceram pelo menos 200 licitações realizadas por prefeituras entre 2000 e 2004, 44 delas no Paraná, envolvendo 37 municípios. Pelos dados recolhidos pela CGU, nas prestações de contas dos convênios já executados, a empresa Saúde Sobre Rodas aparece como campeã das contratações desse grupo, tendo vencido 142 licitações. A Saúde Sobre Rodas funcionava no bairro Cachoeira, entre Curitiba e Almirante Tamandaré. A CGU também indentificou indícios de irregularidades em outras licitações que o grupo perdeu, mas aparecia sistematicamente como participantes das licitações.

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