Grupo do PFL vai fiscalizar Lula
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
Fernanda Krakovics <BR>Folhapress 
Brasília - A Executiva Nacional do PFL decidiu ontem montar um governo paralelo, chamado de ''gabinete sombra'', no Congresso Nacional para tentar firmar-se como uma alternativa de poder. Eles também pretendem endurecer ainda mais o discurso contra o governo e priorizar propostas legislativas que constranjam a base aliada.
Na prática o ''gabinete sombra'' funcionaria com a mobilização de deputados e senadores em cada comissão temática das duas Casas para questionar as propostas e realizações do Governo Lula (PT). ''Eles devem introduzir debates políticos, e não serem apenas analistas de projetos'', disse o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que comandou a reunião.
A intenção do partido, no entanto, não é fazer propostas para o país. ''Quem ganhou a eleição foi o presidente Lula. Da outra vez ele se escondeu atrás de um conselho, agora queremos que ele mostre a cara'', disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), referindo-se ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
A estratégia do partido é concentrar sua atuação no Senado, única esfera em que saiu fortalecido nas eleições deste ano. Por isso foi lançada a candidatura do senador José Agripino (PFL-RN) para a presidência da Casa. Ele concorrerá com o atual presidente, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nessa empreitada o PFL arrastou a contragosto o PSDB, partido com o qual forma um bloco no Senado. Constrangidos, os tucanos devem dar apoio formal à candidatura de Agripino, mas preferiam que não houvesse disputa. A intenção é fazer um almoço na próxima terça-feira da bancada do PSDB com o candidato do PFL.
Ao caminhar para o radicalismo, o PFL está se distanciando do PSDB. ''Temos que repactuar a aliança. Definiríamos alguns pontos macro de apoio, como combate à corrupção e críticas a erros administrativos do governo. Fora desses temas estabeleceríamos personalidades distintas e abriríamos espaço para o dissenso'', afirmou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).
A última discordância entre os dois partidos de oposição foi quanto ao projeto que concede um benefício natalino para o Bolsa-Família, o que funcionaria como uma espécie de 13º salário. A proposta, do senador Efraim Morais (PFL-PB), foi aprovada pelo Senado e enviada para a Câmara. A liderança do PSDB não apoiou o projeto, apesar de senadores tucanos terem votado a favor.


