Grupo de paranaenses rejeita jetom na Câmara
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em meio ao desgaste gerado pelas denúncias de corrupção na Câmara Federal, um grupo de parlamentares do Paraná opta por uma postura mais austera e rejeita o jetom garantido pela convocação extraordinária. Até o final da tarde de ontem, pelo menos seis haviam anunciado que não vão embolsar os cerca de R$ 25 mil extras o equivalente a dois salários.
Por enquanto, nenhum parlamentar recebeu o extra, que é pago em duas parcelas. A primeira (R$ 12,8 mil brutos) sai até 30 de dezembro. A segunda só será paga em fevereiro, no final da convocação extraordinária, que vai de 16 de dezembro a 14 de fevereiro.
No Paraná, o petista Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha, Gustavo Fruet (PSDB), Iris Simões (PTB), Alex Canziani (PTB), Odílio Balbinoti (PSDB) e Hidekazu Takayama (PMDB) não querem receber o dinheiro. Rosinha e Fruet, por exemplo, têm o costume de rejeitar o pagamento extra.
No geral, a maioria dos deputados de diversos estados que resolveram abrir mão do dinheiro são do PT, que viu sua imagem de ética manchada, seguido por parlamentares do PTB do ex-deputado cassado Roberto Jefferson.
Os deputados que não querem receber o jetom precisam manifestar essa postura no papel, através de requerimento à mesa diretora da Casa. Fruet, por exemplo, deu entrada na papelada na semana passada.
Em alguns casos saem beneficiadas entidades como a APAE ou asilos, que recebem o dinheiro que iria para os parlamentares (veja infográfico).
Dr. Rosinha não concorda com a doação do dinheiro para instituições de caridade. Ele criticou a posição dos parlamentares que anunciaram a intenção de doar a remuneração extra.''Esse tipo de doação incentiva o fisiologismo e o clientelismo'', avaliou.
Já Alex Canziani (que ainda não havia sido incluído oficialmente na listagem da Câmara), em nota oficial divulgada ontem, lembra que já adotou a postura de rejeitar o pagamento extra no caso o 13º salário quando foi vereador em Londrina, em 1995.
''Continuo defendendo a redução do recesso parlamentar e o não-pagamento dos dias das sessões extraordinárias. Aguardo ambos os temas serem inseridos na pauta de votações do Congresso para que possam ser discutidos e votados'', disse Canziani, na nota. Em entrevista à Folha no início da noite de ontem, Canziani disse que não será possível deixar de receber a primeira parte do extra (cerca de R$ 9 mil líquidos), pois a folha já foi rodada. ''Vou então doar esse dinheiro para o Hospital do Câncer'', explicou, acrescentando que não vai querer receber a segunda parte. O petebista avalia que a desistência de vários deputados de receber o dinheiro extra é reflexo da crise política. Na avaliação dele, a imagem da Câmara está muito ruim.
A convocação extraordinária dos 513 deputados e 81 senadores prevê uma pauta extensa. Na Câmara, são 65 itens para votar. No Senado, outros 29. Mesmo assim, os primeiros dias de trabalho extra começaram com uma debandada. Corredores vazios e salas com luzes apagadas contrastavam com os poucos congressistas presentes. No total, a convocação extraordinária no Congresso vai custar cerca de R$ 100 milhões aos cofres públicos.


