Curitiba A edição de domingo da revista ''IstoÉ'' fez uma nova denúncia sobre o esquema de lavagem de dinheiro que utilizava as agências do Banestado de Foz do Iguaçu e de Nova York. Segundo a denúncia, Ricardo Sérgio Oliveira, ex-caixa de campanha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e posteriormente do candidato tucano à Presidência, José Serra, teria enviado US$ 56 milhões para o exterior entre os anos de 1996 e 1997.
De acordo com laudo da Polícia Federal (PF), obtido pela equipe de reportagem da revista, Ricardo Sérgio utilizava o doleiro Alberto Youssef, que se encarregava de mandar o dinheiro a partir de Foz do Iguaçu para ser lavado em Nova York. Youssef mora em Londrina.
A revista argumenta que os documentos a que a sua equipe de reportagem teve acesso começam a explicar os motivos que levaram a cúpula da Polícia Federal a engavetar o relatório feito pelos seus peritos nos últimos seis meses de governo de FHC. Esse relatório, que tem mais de mil páginas, mostra como funcionava o esquema de lavagem através da fronteira.
A conta utilizada por Ricardo Sérgio na agência do Banestado em Nova York tinha o número 1.461-9, aberta em nome da empresa June International Corporation. Youssef seria funcionário desta empresa. Do Banestado, o dinheiro seguia para a conta batizada com o nome ''Tucano'', no Chase Manhattan Bank (hoje JP Morgan Chase) também em Nova York.
De acordo com documentos obtidos pela ''IstoÉ'', em apenas dois dias (15 e 16 de outubro de 1996) a Tucano recebeu US$ 1,5 milhão. O nome dado à conta, conforme a revista, não é uma casualidade.
Num trecho seguinte da reportagem, a revista explica o porquê: ''Os dois responsáveis pela administração da dinheirama, segundo a perícia, são figurinhas carimbadas nos principais escândalos envolvendo o processo de privatização das teles e auxiliares diretos de Ricardo Sérgio: João Bosco Madeiro da Costa, ex-diretor da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e ex-assessor do caixa tucano na diretoria internacional do BB, e o advogado americano David Spencer''. Spencer é o procurador de Ricardo Sérgio em vários paraísos fiscais.
A reportagem mostra ainda que o esquema tinha a conivência de pelo menos um gerente da agência em Nova York: Ercio Santos. A revista publicou cópia de um ofício encaminhado pelo gerente ao doleiro Youssef em 20 de agosto de 1996. No documento, Santos atribui a Spencer a responsabilidade pela abertura da conta 1.461-9. Youssef é tratado por Beto, mostrando uma certa intimidade entre o gerente e o doleiro.
Segundo a revista, Santos ''sabia que mexia com dinheiro sujo. Informa, no documento, que preferiu não enviar selo da June por malote para não chamar a atenção'', diz a reportagem. June International Corporation é o nome da empresa na qual foi aberta a conta.

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